Autoridades sérvias levam jornalistas ao local do ataque da Otan
Zreze, Iugoslávia, 15 (AE-AP) - Seis corpos mutilados estavam estirados no chão de um hospital em Prizren. Três mulheres, uma criança, dois homens - todos vítimas, segundo oficiais, do ataque da Otan a uma estrada cheia de civis.
O hospital era uma das quatro paradas do roteiro organizado pelas autoridades sérvias para jornalistas estrangeiros.
Danos do suposto bombardeio podiam ser vistos em três lugares ao longo da estrada. O cenário que os jornalistas viram era trágico: corpos carbonizados ainda esperavam remoção, tratores destruídos, uma cabeça decepada e um corpo queimado ao lado de partes do corpo humano espalhadas.
No hospital, os jornalistas falaram com cerca de 12 feridos. Seus relatos descrevem uma cena confusa de refugiados que tentavam fugir para a Albânia e dos que tentavam voltar para casa.
Teuta Sulja, de 16 anos, disse que sete pessoas foram mortas no reboque onde ela viajava. "Perdi meu pai, um tio e um outro parente", ela contou. O sangue encharcava o curativo da sua perna direita.
Outra vítima, Ismet Sulj, disse que estava no comboio junto com outros 3 mil refugiados de seis cidades indo para Prizren, quando as bombas caíram. Segundo ele, havia quatro tratores puxando os reboques atrás dele e muitos refugiados a pé.
"Não havia militares conosco", afirmou. Sulj sofreu pequenas escoriações mas seus três filhos, de 13, 15 e 17 anos estavam hospitalizados.
Numa outra parada do roteiro, a cinco quilômetros de Zreze, um comandante sérvio definiu o bombardeio como um "ato criminal".
"O dia estava tão azul quanto hoje", disse o coronel Slobodan Stojanovic. Um braço carbonizado ainda estava do lado de um trator queimado. "O piloto podia ver perfeitamente", disse. "A coluna tinha vários quilômetros. Era evidente que tratava-se de civis".





