Brasília, 15 (AE) - Autoridades do Judiciário querem que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, pressione os chefes dos outros poderes a adotar uma das duas hipóteses discutidas na última semana, para evitar a greve dos juízes federais e do Trabalho, marcada para dia 28: a aprovação de um abono, resultando em reajuste para os magistrados, ou da emenda do subteto, com mudanças que possibilitem, por exemplo, acumular ganhos de aposentadoria com salários.
Desde a semana passada, Velloso tenta agendar uma reunião entre os presidentes dos três Poderes e da Câmara para discutir o assunto. Até o início da noite de hoje, ele não tinha obtido sucesso nos contatos, mas esperava marcar o encontro para esta semana ainda. Velloso é a principal esperança dos juízes, que estão sem aumento há cinco anos e reclamavam da forma como o ex-presidente do STF Celso de Mello conduzia as negociações.
A expectativa é de que, se nenhuma medida definitiva for tomada até o dia 28, cerca de 90% dos juízes federais e do Trabalho vão aderir ao movimento grevista. O Conselho Executivo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entidade que tem 14 mil associados, reúne-se quinta-feira (17) em Brasília para discutir, dentre outros assuntos, a greve dos juízes.
As negociações sobre a fixação do teto salarial para o funcionalismo público começaram no segundo semestre de 1998, logo após a aprovação da emenda da reforma administrativa. Essa emenda estabeleceu que nenhum funcionário público poderia ganhar mais do que os ministros do STF. No fim daquele ano, os presidentes dos três Poderes e da Câmara estabeleceram um acordo em que o teto deveria ser fixado em R$ 12.720,00, mas voltaram atrás, após a repercussão negativa da decisão. O valor de R$ 12.720,00 é recebido atualmente pelos ministros do STF que também integram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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