Havana, 09 (AE-AP) - Autoridades imigratórias norte-americanas escreveram ao pai de um garoto cubano de seis anos atualmente vivendo em Miami e pediram uma entrevista com ele, informou nesta quinta-feira (09) a chefe da missão dos Estados Unidos.
Uma carta foi entregue ao pai hoje e uma resposta das autoridades cubanas não era esperada até o anoitecer, disse Vicki Huddleston, chefe da Sessão de Interesses dos Estados Unidos, a missão diplomática norte-americana em Havana. "A bola está com a corte deles", disse ela. "Estamos aguardando."
Enquanto isso, autoridades cubanas esperavam que centenas de milhares de pessoas invadissem as ruas da capital para o que prometia ser a maior manifestação de todos os tempos enquanto o governo pressionava pelo devolução de Elián Gonzalez. "Ela não acabará até o menino Elián voltar a Cuba", prometeu Castro em declaração lida ontem à noite em manifestação em frente à missão dos EUA.
Elián foi resgatado na costa da Flórida em 25 de novembro e entregue a parentes residentes em Miami. Sua mãe e seu padrasto morreram em uma tentativa ilegal de fuga para os Estados Unidos.
O pai de Elián insistiu no retorno do filho a Cuba, mas os tios-avós do garoto alegam que podem dar a ele uma vida melhor na Flórida.
Autoridades imigratórias dos Estados Unidos escreveram ao pai de Elián para marcar uma reunião para ouvir sua exigência pelo retorno da criança, informaram nesta quinta-feira funcionários do Departamento de Justiça.
A carta de uma página indicou que o Serviço de Imigração e Naturalização (INS, pela sigla em inglês) "estaria interessado em ouvi-lo sobre o garoto..., (inclusive) se ele poderia provar ser de fato o pai da criança, qual a natureza de seu relacionamento e expressando um desejo por parte do INS para entrevistá-lo na Sessão de Interesses norte-americanos em Havana", disse o subsecretário de Justiça Eric Holder em entrevista coletiva em Washington.
A carta pedia ao pai as certidões de nascimento e batismo, boletins médicos e escolares, fotografias de família e testemunho de vizinhos para estabelecer seu parentesco, além de uma certidão de divórcio ou qualquer outro documento que comprove sua alegação para exercer os direitos paternos, informou a porta-voz da Secretaria de Justiça Carol Florman.
Uma autoridade consular norte-aemricana deveria entregar em mãos, hoje, a carta ao pai, Juan Miguel Gonzalez, disse ela. Ligações telefônicas à casa de Gonzalez em Cardenas, a cerca de duas horas de carro de Havana, davam ocupado nesta quinta-feira.
Na noite de quarta-feira, o presidente cubano Fidel Castro declarou que Gonzalez disse a ele que não falaria com funcionários norte-americanos a não ser que eles estivessem preparados para dizer quando a criança voltaria para casa.
"Ele disse a nós que não viajará aos Estados Unidos", disse Castro na mensagem, lida por Hassan Perez, presidente da federação governamental de estudantes universitários.

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