Autoridades fazem vistoria no 2º DP
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sexta-feira, 02 de março de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local
Londrina - ''Na sua imaginação surgiram as centenas e milhares de pessoas trancafiadas num ar contaminado, humilhadas, trancadas por generais indiferentes, procuradores, diretores. E a pergunta de antes: quem é louco, ele, Niekhliudov, ou os homens que se consideram sensatos e fazem tudo aquilo? Surgiu de novo com mais força e exigia resposta.''
O trecho é do livro Ressureição, do escritor russo Liev Tolstói (1828-1910), mas pode servir para descrever a situação do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, que foi vistoriada por autoridades e representantes do entidades humanitárias ontem. A carceragem tem capacidade para abrigar 120 presos, mas está com 350.
As condições do local foram verificadas de perto pelo promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, diretor do Centro de Direitos Humanos, Carlos Henrique Santana, padre Edivan Santos, da Pastoral Carcerária, e o diretor do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR), Maurício Kuehne, entre outras autoridades.
As atenções se voltaram ao local nesta semana por conta de um surto de doenças de pele, possivelmente sarna. De acordo com o padre Edivan Santos, pelo menos 30% dos presos do 2º DP têm algum tipo de enfermidade. A reportagem viu um preso com braço infecionado por conta de um tiro e a barriga com dezenas de pontos de uma cirurgia, outro mostrava um ferimento na perna enfaixado de forma improvisada.
O grupo conferiu de perto as condições da carceragem e ouviu reclamações dos presos. ''A gente não merece viver assim, não somos bicho'', berrou um preso perdido na multidão.
O calor nas celas se aproxima dos 40 graus. O local é insalubre e o mau cheiro toma conta também dos corredores. ''Dormir? Essa palavra não existe aqui. São três metros quadrados, tem trinta pessoas. Vai dormir como?'', acrescentou outro detento. Em cinco celas modulares (contêineres) com 12 vagas ficam 35 presos.
''Há quatro anos já denunciamos. Cabe ao governo do Estado fazer o papel dele. Precisa criar vergonha na cara'', vociferou Santana, do Centro de Direitos Humanos (CDH). O local já foi interditado, impondo limite de 210 presos. Mas a imposição ficou no papel.
De acordo com o delegado Cássio Wrozek, aproximadamente 50 dos 350 presos do 2º DP já foram condenados. Há cerca de 15 dias, 50 detentos foram transferidos, mas o alívio durou pouco. ''Chegamos a 305. Mas a cada final de semana são 15 ou 20 que chegam. Já estamos com 350 de novo. Se esvaziar aqui em menos de um ano enche de novo'', projetou.
Os representantes das entidades que fizeram a vistoria ontem devem se reunir novamente na segunda-feira para discutir medidas para amenizar o problema. ''Vou aguardar o relatório da Vigilância Sanitária, que deve ser entregue no mais tardar na terça-feira para embasar mais o pedido e cobrar mudanças. O grande problema é a superlotação e o poder público tem que dar solução'', decretou Paulo Tavares.
Segundo ele, os presos doentes devem ter prioridade nas transferências. No entanto, é necessário ainda fazer levantamento de quantos estão enfermos. Conforme o delegado Wrozek, ''a grande maioria necessita de atendimento médico, pelo menos de enfermaria.''