Autoridades exumam mais 53 corpos em complexo de seita em Uganda
RUGAZI, Uganda, 29 (AE-AP) - Investigadores de Uganda exumaram hoje (29) mais 53 corpos - muitos deles de crianças - de uma vala comum escondida dentro da casa de um ex-líder de uma seita apocalíptica.
Ao todo, 81 corpos, enterrados lado a lado sob um piso recém- cimentado de uma sala de três por três metros, foram descobertos em dois dias de escavação na vala comum. Autoridades disseram hoje que acreditam ter resgatados todos os corpos.
A vala comum foi encontrada na terça-feira numa casa que pertenceu até há três semanas a Dominic Kataribabo, um sacerdote católico excomungado e um dos líder do Movimento para a Restauração dos Dez Mandamentos de Deus. Muitas das vítimas aparentemente foram estranguladas - panos ainda eram vistos amarrados em volta de seus pescoços.
Setenta e quatro outros corpos estrangulados, mutilados, haviam sido descobertos na segunda-feira numa plantação de cana de açúcar na propriedade.
Kataribabo morreu com pelo menos 530 seguidores num incêndio em 17 de março numa capela de um complexo da seita em Kanungu. A princípio, a polícia interpretou as mortes como suicídio coletivo, acreditando que os próprios seguidores iniciaram o incêndio, crendo que a igreja era a Arca de Noé e a Virgem Maria estava chegando para os levar para o céu.
Depois, quando seis corpos em decomposição foram encontrados numa fossa sanitária perto da igreja, a polícia decidiu tratar as mortes como homicídio, e espalharam-se rumores de que vários líderes haviam escapado.
Com as últimas descobertas, sobre para pelos menos 673 o número de mortos encontrados em três complexos no sudoeste de Uganda que pertenciam à seita. Autoridades acreditam que os líderes do culto são responsáveis por um dos maiores assassinatos em massa da história recente.
A seita tinha cerca de 1.000 membros, e para as autoridades eles são a maioria dos mortos, apesar de a indentidade das vítimas continuar no geral desconhecida. Cinco outros complexos no sudoeste de Uganda pertencentes à seita ainda não foram examinados, informou o porta-voz policial Assuman Mugenyi.
Autoridades estão em busca dos dois principais líderes do movimento - a ex-prostituta Cledonia Mwerinde e Joseph Kibwetere, um católico excomungado. O casal havia previsto que o mundo acabaria em 31 de dezembro. Quando isto não ocorreu, acreditam autoridades, membros da seita exigiram a devolução de bens que entregaram para entrar na seita e tornaram-se uma força insurgente que foi esmagada com força brutal.
A maioria das vítimas foi morta "há cerca de um mês", disse o oficial de polícia Geoffrey Bangirana.





