Curitiba - As ações do PCC no Paraná são cada vez mais evidentes. Mas as autoridades estaduais evitam falar publicamente sobre o tema. No mês passado, o advogado criminalista André Lanzoni Pereira chegou a ser preso por estar supostamente incitando os presos a provocarem uma rebelião no Centro de Detenção Provisória de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Lanzoni disse que só falaria em juízo. Os seguranças do presídio disseram que ele teria ordenado que os ''soldados do PCC'' iniciassem uma rebelião no presídio.
Considerado como braço técnico do crime organizado, Jefferson Frank Spagnuolo foi preso por supostamente gerenciar teleconferências entre presos em todo o Brasil. Ele foi acusado de vender telefones celulares para presos e manter uma lista de clientes. Entre eles, Marcola líder da facção criminosa paulista PCC. Na casa de Spagnuolo foram apreendidos: uma pistola calibre 635, 22 aparelhos celulares e um computador com as clonagens de linhas e o gerenciamento das teleconferências.
Em uma chácara entre os municípios de Londrina e Cambé, a Polícia Federal apreendeu armas que supostamente abasteceriam o crime organizado no eixo Rio-São Paulo. Lá foram encontradas 23 armas entre metralhadoras, submetralhadoras, fuzis, pistolas, granadas e munições. O delegado Rodrigo Brown de Oliveira, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), foi quem comandou a prisão de Lanzoni e Spagnuolo. Ele prefere não falar sobre o tema, que considera como ''delicado''. ''Temos orientação de mantermos sigilo'', lamentou ele.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) foi ainda mais evasiva. Informou apenas que as polícias do Paraná investigam todo o tipo de crime, seja individual ou por facções criminosas. Nem mesmo o Ministério Público (MP) Estadual quis se pronunciar sobre o tema.
A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) informou que estão sendo realizadas várias investigações sobre o crime organizado. O Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná também não quis falar sobre o tema. O coronel Honório Olavo Bortolini se limitou a dizer que não existe diferenciação no tratamento de presos nas cadeias do Paraná. ''Tratamos os presos com respeito e dignidade e com vistas à ressocialização''.(L.P.)

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