Curitiba - Autoridades da área de saúde do Paraná ouvidas ontem pela Folha fizeram ressalvas à elaboração de novas regras para internamento em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A medida foi divulgada pelo ministro da Saúde Humberto Costa que, diante das críticas, desistiu da iniciativa.
Na opinião do presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon, o Conselho Federal de Medicina é quem deveria traçar normas para internação.
''Ao invés do Ministério da Sa© úde investir na ampliação do número de leitos de UTI, ele toma uma medida política para cercear o acesso à estrutura que já existe. Quem vai assumir a responsabilidade? É o médico quem decide quem deve ser encaminhado para a UTI. Se ele seguir as novas normas e alguma coisa ruim acontecer, ele poderá ser processado pelo Ministério Público. Duvido que alguém vai defendê-lo depois. Será necessário um auditor do Ministério da Saúde em cada município'', disse Schiavon.
O diretor de sistemas de sa© úde da Secretaria de Estado da Saúde, Gilberto Martin, ponderou: ''O ideal é criar condições para que toda a demanda por UTIs seja absorvida. A definição de parâmetros pode ser difícil, pois é complicado tratar de forma objetiva situações tão subjetivas, que variam caso a caso.''
Martin disse que as novas regras não teriam grandes efeitos no Paraná. ''O Ministério quis criar estes critérios devido à situação de outras regiões do País, onde a demanda por leitos de UTI é maior do que a oferta. No Paraná, 5,7% do total de leitos é de UTI, o que suplanta o índice de no mínimo 4% exigido pelo Governo Federal'', comentou.
Segundo números da Secretaria de Estado da Saúde, o Paraná tem 884 leitos de UTI e 95 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) credenciados pelo Sistema Único de Sa© úde (SUS). Cerca de 6.500 pessoas são internadas em UTIs e UCIs no Estado por mês. ''Há dois anos, mais de 20 pessoas morriam por mês no Paraná aguardando vaga em UTI. Hoje, casos assim são esporádicos'', defendeu Martin.
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Donizete Gianberardino Filho, é necessário investir mais em unidades intermediárias. ''As diretrizes que vierem merecerão uma ampla discussão pública'', comentou ele.
Segundo as primeiras informações, os novos critérios restringiriam o acesso de pacientes sem chances de cura ou que não estivessem em estado crítico. O documento com os novos critérios, conforme chegou a anunciar o Ministério da Saúde, seria apresentado em três meses.

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