São Paulo, 12 (AE) - As causas do blecaute ainda eram desconhecidas à 1 hora de hoje, segundo o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. Ele marcou uma reunião para a manhã desta sexta-feira para analisar o problema. O blecaute não deve repetir-se hoje, segundo Tourinho. "Foi um acidente", afirmou. "Em poucas horas a situação vai estar normalizada."
Às 22h30, o chefe de Operações de Furnas Centrais Elétricas, em Foz do Iguaçu, José Maurício Zaroni, informou que ainda não sabia o motivo do blecaute. "Caiu o sistema, mas não sei o que aconteceu", disse. "O pessoal de operações está em polvorosa." Pouco mais tarde, reunido com técnicos, ele disse que o problema não ocorreu na subestação de Foz nem na Hidrelétrica de Itaipu, mas no sistema interligado que leva energia às Regiões Sul e Sudeste.
O presidente de Furnas, Luis Laércio Simões Machado, afirmou que a possibilidade de o problema ter ocorrido na companhia é grande, pois ela fornece energia para 43% do Sudeste. Ele explicou que houve um problema no fornecimento para as Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "O sistema brasileiro de transmissão é interligado e qualquer distúrbio se propaga por boa parte dele rapidamente."
Transmissão - De acordo com a Eletrobrás, o problema foi
de fato, causado por falha no sistema de energia alternada e contínua de Itaipu, ou seja, na linha de transmissão. Mas houve problemas também na Usina de Jupiá, na divisa de São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde o sistema caiu e todos técnicos em manutenção foram convocados para tentar resolver a situação.
Explicações - "É o maior blecaute desde 1985", de acordo com o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce. Ele não havia sido informado, até as 23 horas, das causas do problema. Mas, pelas características e abrangência do apagão, ele considerava pouco provável que o problema tivesse sido provocado pela queda de torres de transmissão de energia. "As características são típicas de instabilidades no sistema."
A hipótese mais provável, de acordo com Arce, é que tenha havido uma dessincronia no funcionamento das usinas hidrelétricas, o que faz com que ocorra um desligamento geral das geradoras, em efeito dominó. Segundo ele, as usinas pertencentes à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) já estavam sendo postas em operação, mas não havia previsão de quando o sistema estaria funcionando plenamente.
O Espírito Santo também ficou no escuro, de acordo com Francisco Gomide, presidente da Escelsa, a concessionária que atende o Estado. Gomide, que já foi presidente de Itaipu Binacional, tentava confirmar informações de que teria ocorrido uma paralisação de algumas máquinas geradoras da hidrelétrica, a maior do País, com mais de 12 mil MW de capacidade instalada.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Operadora Nacional de Sistema de Energia (ONS), às 22h16 ocorreu o desligamento automático de todo o tronco 750 KV do Tijuco Preto. A partir daí
começou um desligamento em cascata de várias redes, que atingiu 64% do sistema interligado Sul-Sudeste.

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