Autoridades de Campinas esperam que CPI comprove denúncias
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 04 (AE) - As evidências de que Campinas estaria funcionando como o centro logístico e financeiro do esquema criminoso comandado pelo ex-deputado Hildebrando Paschoal chocaram as autoridades locais. Conhecida pela qualidade de vida e por abrigar um dos mais importantes pólos culturais e tecnológicos do País, a cidade, com cerca de um milhão de habitantes, ainda não absorveu o impacto das notícias que a apontam como a nova capital do crime organizado e do narcotráfico.
"Fiquei surpreso, principalmente pelas suspeitas sobre envolvimento de policiais", disse o secretário municipal de Cooperação para Assuntos de Segurança Pública, Ruyrillo Pedro de Magalhães. Delegado da Polícia Civil aposentado, ele diz que está acompanhando com "apreensão" as investigações. "Espero que a CPI reúna provas suficientes para evidenciar o que vem noticiando", afirmou.
Para Magalhães, as suspeitas levantadas até o momento só poderão levar a algum resultado positivo a partir de provas contundentes. "Já que iniciou o trabalho, a CPI tem a obrigação de reunir estas evidências", disse. Em sua opinião, a cidade pode ter sido escolhida pelo crime organizado devido à sua localização estratégica. O município é cortado pelas principais rodovias estaduais e abriga um aeroporto internacional.
O delegado regional da Polícia Civil, Orlando Miranda Ferreira, recebeu com reserva e desconfiança os resultados obtidos até agora pela CPI. "É preciso separar os fatos da boataria e do sensacionalismo", afirmou. "Até o momento, não se sabe direito quem são estas pessoas ouvidas pelos deputados"
disse. "Se elas denunciaram o envolvimento de empresários da região, então têm de dizer quem são e o que fizeram", completou.
Ferreira demonstrou irritação principalmente com as suspeitas sobre o envolvimento de policiais civis no suposto esquema criminoso. "Disseram que há policiais envolvidos, mas não deram os nomes"
observa. Segundo ele, até o momento, não surgiu nenhum "fato concreto" capaz de incriminar policiais da instituição. Mesmo assim, o delegado decidiu abrir uma sindicância administrativa para apurar as suspeitas.
"Recebi a notícia com muita tristeza", disse o vereador Francisco Sellin (PTB), presidente da Comissão de Segurança da Câmara Municipal. "Ninguém poderia supor que uma coisa dessas iria acontecer", disse.
Para o vereador, as suspeitas, caso sejam confirmadas, marcarão para sempre a imagem da cidade. "Somos responsáveis por 9% do PIB regional, possuímos importantes hospitais e universidades, mas daqui para frente ficaremos conhecidos como centro do crime organizado", lamenta. "Vamos acompanhar o trabalho da CPI e esperar os resultados", afirmou.


