Autoridades congelam conta bancária de grupos islâmicos
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por SELCAN HACAOGLU 
Istambul, 27 (AE-AP) - O resolutamente secular governo da Turquia congelou contas bancárias de duas organizações islâmicas ativas na ajuda humanitária às vítimas do terremoto, uma iniciativa que os grupos consideraram hoje (27) como parte de uma campanha de repressão contra eles.
A decisão de congelar as contas pertencentes ao Mazlum Der e ao Direitos Humanos e Liberdades, ambos de orientação islâmica, visa aparentemente evitar que os grupos muçulmanos usem ajuda humanitária para atrair partidários.
Tanto o governo quanto os poderosos militares têm fortes suspeitas em relação aos grupos islâmicos - especialmente os radicais que querem substituir o regime secular por um governo muçulmano. Os militares pressionaram o primeiro governo pró-islâmico da Turquia a renunciar em junho de 1987.
As contas bancárias dos dois grupos foram ccongeladas na terça- feira, quando o gabinete do governador de Istambul, Erol Cakir, percebeu que eles estavam coletando dinheiro sem permissão.
Uma autoridade do escritório de Cakir, que pediu para não ser identificada, disse que o montante não declarado de dinheiro seria confiscado de acordo com a lei. Ela negou que a medida fazia parte de uma repressão governamental contra instituições islâmicas.
Grupos islâmicos não perderam tempo em correr para ajudar milhares de feridos e de cerca de 600.000 desabrigados pelo terremoto de 17 de agosto, que matou mais de 13.000 pessoas.
Eles rapidamente preencheram um vazio criado pela aparente incapacidade do governo em organizar seus próprios esforços de ajuda nos primeiros dias do desastre.
Murat Yilmaz, do Direitos Humanos e Liberdades, disse que seu grupo distribuiu alimentos, roupas e montou estações telefônicas móveis, permitindo que pessoas em áreas duramente afetadas ligassem gratuitamente para parentes.
Perguntado por que o governo reprimiu seu grupo, Yilmaz simplesmente afirmou: "Provavelmente fomos alvejados porque somos muçulmanos devotos que rezam cinco vezes por dia".
Grupos de ajuda privados têm sido elogiados por muitos turcos por oferecer ajuda rápida e efetiva às vítimas do terremoto, especialmente quando comparada aos muitas vezes lentos e burocráticos esforços do governo.
Gulden Sonmez, uma advogada e porta-voz do Mazlum-Der, disse que ela mobilizou médicos e enfermeiras ligadas ao grupo nas primeiras horas do terremoto, assim como fizeram doação de barracas.
"É uma vergonha", afirmou Sonmez. "Estamos ajudando a todos sem discriminação de fé".
O diário islâmico Akit retirou-se de uma campanha conjunta da mídia turca, "Coloque você mesmo um tijolo", para protestar contra a medida de Cakir contra os grupos. Aquela campanha já arrecadou US$ 3 milhões entre grupos da mídia.
As duas organizações não são os únicos grupos e empresários de orientação islâmica a oferecer ajuda.
O Partido da Virtude Islâmica tem distribuído refeições, providenciado tratamento médico e tentado garantir abrigo temporário no distrito mais afetado de Istambul, Avcilar. O partido já havia conquistado o coração de muitos eleitores na eleição passado distribuindo alimentos e carvão grátis.


