São Paulo, 26 (AE) - A Prefeitura e o governo do Estado sabem onde os moradores de São Paulo terão problema com enchentes no verão: nos mesmos de todo ano. Em alguns, entretanto, afirmam que o problema será menor. Em outros, que pouco ou nada mudará. A Secretaria de Vias Públicas (SVP) chegou a apresentar uma cartilha orientando moradores a erguer o que tenha em casa. Das obras em andamento, a maioria não estará pronta e muitas entrarão em operação mesmo antes de concluídas.
Diante disso, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) está preparada para alagamentos nas marginais do Tietê e do Pinheiros e em outros 500 pontos da cidade. "A novidade é que poderemos ter informações sobre as chuvas com seis horas de antecedência", disse o secretário de Vias Públicas, André de Fazio. A Prefeitura está fechando um acordo com a Aeronáutica para receber informações do radar de São José dos Campos. "O novo satélite enxerga a chuva com precisão de 200 quilômetros." A tecnologia utilizada hoje "vê a chuva que está caindo".
De acordo com Fazio, seriam necessários US$ 8 bilhões para que o problema das enchentes esteja solucionado na capital. Neste ano, o investimento do Município para combate às enchentes será, segundo ele, de US$ 63 milhões. Dinheiro que, de acordo com Fazio, deve melhorar a vida de quem mora às margens dos Córregos Aricanduva, Cabuçu de Baixo e Caguaçu.
"Na região da bacia do Aricanduva (que inclui o Caguaçu) haverá uma melhora substancial, na do Cabuçu de Baixo deve haver uma melhora de 70% em relação a este ano", promete. Isso, segundo ele, não significa que os moradores dessas regiõespoderão dormir sossegados. Em caso de chuvas muito intensas em curto período de tempo pode haver pontos de alagamento nessas áreas. A rotina de verão de quem mora à beira do Córrego Pirajuçara, entretanto, em nada ou muito pouco deve mudar. Fazio afirmou que as obras na região não devem estar concluídas até o período das chuvas e a região deve ter problemas.
O secretário de Estado dos Recursos Hídricos, Antônio Carlos de Mendes Thame, disse que os piscinões que o Estado está construindo na bacia desse córrego funcionarão, ao menos, como reservatórios. "A escavação estará concluída até o fim de novembro." O mesmo deve ocorrer, segundo ele, com as obras de rebaixamento da calha do Rio Tietê, cuja primeira etapa deveria ser concluída em novembro. Thame acredita, entretanto, que o impacto das obras será percebido. Pela primeira vez em dez anos, segundo ele, os moradores do Parque Edu Chaves e da Vila Galvão poderão passar o verão sem enchentes por causa das obras realizadas lá. "O córrego não vai transbordar, mas pode haver problema se as galerias de águas pluviais não estiverem limpas." A limpeza é atribuição da Prefeitura, mas Thame garantiu que os estagiários das frentes de trabalho estadual podem auxiliar.

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