Brasília, 03 (AE) - Nova dúvida surgiu hoje em torno da polêmica carta do ex-superintendente geral da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) Dorival Rodrigues Alves ao Banco Central. Na carta, o ex-superintendente geral alerta para o risco de "crise sistêmica" no mercado e pede a ajuda do BC. Os senadores querem saber agora se Dorival Alves estava trabalhando na BM&F no dia da mudança cambial, 13 de janeiro, e no dia 14 de janeiro, data da carta.
A suspeita surgiu durante o depoimento da ex-chefe do Departamento de Reservas Internacionais (Depin) do Banco Central
Maria do Socorro Costa Carvalho, à CPI dos Bancos. A ex-chefe do Depin disse que, no dia 13, manteve duas conversas com o superintendente de Operações da BM&F, Paulo Roberto Garbato, sobre as reações do mercado à mudança da política cambial.
Nestas ligações, Garbato teria manifestado preocupação com as instituições vendidas no mercado futuro de dólares. Mas, segundo disse Socorro, ele não citou nenhuma instituição específica. A chefe do Depin deixou dúvidas nos senadores ao dar a entender que tinha falado com Garbato porque Dorival Alves estava ausente da BM&F por motivos de doença.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quis confirmar se Socorro Carvalho sabia da doença de Dorival Alves e de sua ausência da BM&F naqueles dias. Mas ela esclareceu que somente "dias depois" soube da doença do ex-superintendente da BM&F e de sua posterior morte. Dorival Alves morreu de câncer no início de abril.
O reparo feito pela chefe do Depin provocou uma reação de espanto do senador Roberto Saturnino (PSB-RJ). "Essa carta da BM&F envolve uma série de mistérios que precisam ser esclarecidos, até porque se Dorival Alves estava doente e não trabalhou; como pode ter assinado a carta que chegou ao Banco Central?", questionou.
A carta da BM&F foi o principal assunto hoje nas conversas entre os senadores da CPI dos Bancos. Alguns reagiram com indignação à informação publicada pela revista Veja de que foi o Banco Central que pediu o envio, pela BM&F, de uma carta sobre o risco de "crise sistêmica" e que a carta somente chegou ao BC no dia 15 de janeiro, ou seja, um dia depois da operação de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam.
"Se isso ocorreu, o Armínio Fraga (presidente do BC), o Luiz Carlos Alvarez (diretor de Fiscalização) e Cláucio Mauch (ex-diretor de Fiscalização) faltaram com a verdade", disse Suplicy. A mesma opinião foi manifestada pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Se essa versão for verdadeira, compromete a diretoria do BC."
Outros senadores, da base governista, foram mais cautelosos. O presidente do PMDB e autor da CPI, senador Jáder Barbalho (PA)
admitiu ter ficado surpreso com a notícia de que a carta da BM&F foi feita a pedido do BC. "Mas é preciso que se apure as denúncias, para depois obter-se uma conclusão", afirmou Barbalho. "Por enquanto, são apenas versões", continuou ele. O senador disse que essa semana será decisiva para a CPI reunir dados e chegar a uma conclusão sobre a polêmica carta da BM&F, depois de ouvir todos os depoimentos de assessores do BC e da direção da bolsa.

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