Autor destaca conceito de capital de saúde
A.E.- No livro, o senhor compara a saúde e o envelhecimento a uma conta de investimento. Quais são os mais arriscados ''saques'' e desperdícios desse capital?
Renato Maia - O conceito de capital de saúde é semelhante ao de escolhas intertemporais, lançado no Brasil por Eduardo Gianetti (economista e filósofo, autor de ''O Valor do Amanhã''). Os saques mais caros estão relacionados à excessiva ênfase no aqui e agora, nos prazeres imediatos do fumo, excesso de álcool, na vida cheia de risco, na descrença com relação às medidas preventivas e à importância de se levar uma vida mais harmônica. Incluo nesses saques a visão pessimista da vida, a descrença no futuro e o fatalismo, pois esse tipo de atitude desencadeia outros problemas.
AE - O amor e o envelhecer a dois também são destacados como fatores de longevidade.
Renato Maia - Além da minha própria percepção, há também um estudo americano feito pela Universidade de Harvard. Eles acompanharam a vida de pessoas nascidas entre os anos de 1920 e 1930, por 60 anos. Avaliaram quem tinha morrido, sobrevivido e os que viviam realmente felizes. E esses últimos não eram os que tinham o melhor nível de colesterol. A maioria deles tinha uma boa vida a dois: o casamento feliz era um fator de longevidade. A cumplicidade é muito importante. E o amor é o fator que tem maior poder para modificar o ser humano.
AE - Como equilibrar a fruição do momento e cuidados com a saúde?
Renato Maia - Platão ensinava a importância do equilíbrio entre razão e paixão. O segredo está aí. É preciso viver intensamente cada instante sem esquecer que o futuro um dia será presente. O importante é não gerar proibições tolas em qualquer fase da vida. Adoto o lema da geração 68: é proibido proibir.





