Autor de feminicídio é preso em Assis
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sexta-feira, 04 de maio de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

A Polícia Civil apresentou na tarde de sexta-feira (4) Fernando Aparecido de Oliveira, acusado de ter esfaqueado até a morte sua companheira Dayane Aparecida da Silva, 30, em ocorrência registrada no dia 8 de abril deste ano. A coletiva de imprensa foi realizada na sede da 10ª SDP (Subdivisão da Polícia Civil) de Londrina. Segundo a delegada Carla Gomes de Melo, Oliveira estava escondido na casa da irmã em Assis (SP), quando foi detido pela polícia.
Na época do crime, o corpo foi encontrado no apartamento em que o casal e seus filhos residiam, na rua Emílio Striquer, no jardim Cristal (zona sul). A delegada destacou que logo após o crime a equipe da Polícia Civil iniciou as investigações. "Acabamos encontrando o Fernando em Assis e ele confessou a prática do crime", ressaltou a delegada.
A delegada apurou que a motivação foi o término do relacionamento do casal e a não aceitação por parte dele que ela fosse a bailes funk e saísse com amigas, deixando os filhos em casa. "Antes do crime ele já estava foragido, escondido na cidade de Campinas, e ela permaneceu residindo aqui", destacou a delegada.
"No dia do crime ele chegou em casa e não encontrou Dayane em casa, ela foi a uma festa e os filhos estavam sozinhos. Eles já estavam discutindo por causa disso. Isso o deixou bastante enciumado e foi isso que motivou a prática do crime", apontou Gomes.
Além deles, uma adolescente e três crianças residiam na casa. Duas das crianças eram filhas dos dois e os demais eram de relacionamentos anteriores. O homicídio teria sido cometido na frente da adolescente e, segundo a delegada, as outras crianças estavam no apartamento no momento do crime. "Encontramos um pote cheio de facas e três delas foram encaminhadas para a perícia, porque provavelmente foram utilizadas para a prática do crime", ressaltou a delegada.
O acusado se defendeu e argumentou que foi Silva que pegou a faca e partiu para cima dele. "Nós não estávamos separados. Eu estava morando com ela, mas precisei sair fora daqui, porque tinha rompido a tornozeleira eletrônica", afirmou Oliveira, que tinha três passagens pela polícia por porte ilegal de arma e outros crimes. "Sei que errei, mas ela errou também. Ela estava saindo, indo para bailes funk. Eu me arrependo muito. Não era para ter chegado a esse ponto. Olha meus filhos, que estão sem mãe e sem pai. Nossa vida foi cheia de discussões por causa de traição", afirmou.
Gomes afirma que até quinta-feira a Delegacia da Mulher possuía 1.630 inquéritos em andamento, além de 380 procedimentos em averiguação. "Fora isso temos os boletins de ocorrência em que não foram instaurados os procedimentos", levantou. A delegada não tinha em mãos quantos deles eram por agressão em violência doméstica e quantos eram por ameaça. Sobre os feminicídios ela ressaltou que todos os inquéritos deste ano e de anos anteriores já foram concluídos.
NÚMEROS
Segundo a Codem (Coordenadoria das Delegacias da Mulher) em 2015 foram registrados 4746 boletins de ocorrência por ameaça, 7.339 em 2016 e 7.948 em 2017. Já os boletins de ocorrência por lesão corporal totalizam 3.468 em 2015, 1.591 em 2016 e 6.342 em 2017. O Codem aponta que entre 2015 e 2017 foram registrados 62 feminicídios no Estado. Nesse período a região de Londrina Londrina registrou apenas um caso de feminicídio, o de Josiane de Souza, 35, no distrito de São Luiz. Porém, neste ano já ocorreram três deles. O caso de Dayane Aparecida da Silva, no jardim Cristal (zona sul); o de Maria Aparecida dos Santos, no jardim Higienópolis (centro); e o da Natália Larissa Fernandes, na Vila Marízia (centro). Outro caso que chocou a região foi a morte de Caroline da Silva Oliveira, 16 anos, em dezembro de 2017, em Tamarana (Região Metropolitana e Londrina).
A delegada aponta o crescimento dos registros de ocorrências porque as mulheres estão se sentindo mais confortáveis em relação a realizar as denúncias e estão mais confiantes em relação ao trabalho da polícia e do judiciário. "Elas estão mais informadas para buscar os seus direitos e tudo isso tem contribuído para esse aumento das denúncias. A lei do feminicídio também tem contribuído. Ela dá uma melhor punição ao crime contra a mulher em situação de violência doméstica", afirmou. De acordo com a delegada, o fato de ter poucas varas Maria da Penha não interfere no aumento de registros de ocorrências. "De modo algum. Mesmo não tendo os juizados específicos que a lei prevê, as mulheres são apoiadas em cidades que não existem varas especializadas em varas criminais comuns. A mesma disciplina é aplicada a todos. Lógico que uma vara especializada pode dar mais atenção que uma vara que julga todos os tipos de crimes comuns e normalmente é muito tumultuado, mas em termos de ser corretamente aplicada, a eficiência é a mesma coisa", argumentou.
ESTATÍSTICA
Segundo o Instituto Maria da Penha, a cada sete segundos uma mulher é vitima de violência física no país, cerca de 500 por hora. Um levantamento realizado pela doutora em demografia pela Unicamp Jackeline Aparecida Ferreira Romio apontou que o maior número de feminicídios domésticos foi na faixa de 15 a 49 anos, que coincide com a idade reprodutiva. De 2009 a 2014 foram mortas 5.598 mulheres nesta idade, do total de 7.707 feminicídios, o que representa mais de 70% de todos os casos domésticos registrados no período estudado. Quando a violência sexual é a causa da morte, o percentual de vítimas de 0 a 14 anos foi de 40% dos casos.


