Oliveira foi preso na manhã desta sexta, escondido na casa de uma irmã, no interior paulista
Oliveira foi preso na manhã desta sexta, escondido na casa de uma irmã, no interior paulista | Foto: Vítor Ogawa



A Polícia Civil apresentou na tarde de sexta-feira (4) Fernando Aparecido de Oliveira, acusado de ter esfaqueado até a morte sua companheira Dayane Aparecida da Silva, 30, em ocorrência registrada no dia 8 de abril deste ano. A coletiva de imprensa foi realizada na sede da 10ª SDP (Subdivisão da Polícia Civil) de Londrina. Segundo a delegada Carla Gomes de Melo, Oliveira estava escondido na casa da irmã em Assis (SP), quando foi detido pela polícia.

Na época do crime, o corpo foi encontrado no apartamento em que o casal e seus filhos residiam, na rua Emílio Striquer, no jardim Cristal (zona sul). A delegada destacou que logo após o crime a equipe da Polícia Civil iniciou as investigações. "Acabamos encontrando o Fernando em Assis e ele confessou a prática do crime", ressaltou a delegada.

A delegada apurou que a motivação foi o término do relacionamento do casal e a não aceitação por parte dele que ela fosse a bailes funk e saísse com amigas, deixando os filhos em casa. "Antes do crime ele já estava foragido, escondido na cidade de Campinas, e ela permaneceu residindo aqui", destacou a delegada.

"No dia do crime ele chegou em casa e não encontrou Dayane em casa, ela foi a uma festa e os filhos estavam sozinhos. Eles já estavam discutindo por causa disso. Isso o deixou bastante enciumado e foi isso que motivou a prática do crime", apontou Gomes.

Além deles, uma adolescente e três crianças residiam na casa. Duas das crianças eram filhas dos dois e os demais eram de relacionamentos anteriores. O homicídio teria sido cometido na frente da adolescente e, segundo a delegada, as outras crianças estavam no apartamento no momento do crime. "Encontramos um pote cheio de facas e três delas foram encaminhadas para a perícia, porque provavelmente foram utilizadas para a prática do crime", ressaltou a delegada.

O acusado se defendeu e argumentou que foi Silva que pegou a faca e partiu para cima dele. "Nós não estávamos separados. Eu estava morando com ela, mas precisei sair fora daqui, porque tinha rompido a tornozeleira eletrônica", afirmou Oliveira, que tinha três passagens pela polícia por porte ilegal de arma e outros crimes. "Sei que errei, mas ela errou também. Ela estava saindo, indo para bailes funk. Eu me arrependo muito. Não era para ter chegado a esse ponto. Olha meus filhos, que estão sem mãe e sem pai. Nossa vida foi cheia de discussões por causa de traição", afirmou.

Gomes afirma que até quinta-feira a Delegacia da Mulher possuía 1.630 inquéritos em andamento, além de 380 procedimentos em averiguação. "Fora isso temos os boletins de ocorrência em que não foram instaurados os procedimentos", levantou. A delegada não tinha em mãos quantos deles eram por agressão em violência doméstica e quantos eram por ameaça. Sobre os feminicídios ela ressaltou que todos os inquéritos deste ano e de anos anteriores já foram concluídos.

NÚMEROS
Segundo a Codem (Coordenadoria das Delegacias da Mulher) em 2015 foram registrados 4746 boletins de ocorrência por ameaça, 7.339 em 2016 e 7.948 em 2017. Já os boletins de ocorrência por lesão corporal totalizam 3.468 em 2015, 1.591 em 2016 e 6.342 em 2017. O Codem aponta que entre 2015 e 2017 foram registrados 62 feminicídios no Estado. Nesse período a região de Londrina Londrina registrou apenas um caso de feminicídio, o de Josiane de Souza, 35, no distrito de São Luiz. Porém, neste ano já ocorreram três deles. O caso de Dayane Aparecida da Silva, no jardim Cristal (zona sul); o de Maria Aparecida dos Santos, no jardim Higienópolis (centro); e o da Natália Larissa Fernandes, na Vila Marízia (centro). Outro caso que chocou a região foi a morte de Caroline da Silva Oliveira, 16 anos, em dezembro de 2017, em Tamarana (Região Metropolitana e Londrina).

A delegada aponta o crescimento dos registros de ocorrências porque as mulheres estão se sentindo mais confortáveis em relação a realizar as denúncias e estão mais confiantes em relação ao trabalho da polícia e do judiciário. "Elas estão mais informadas para buscar os seus direitos e tudo isso tem contribuído para esse aumento das denúncias. A lei do feminicídio também tem contribuído. Ela dá uma melhor punição ao crime contra a mulher em situação de violência doméstica", afirmou. De acordo com a delegada, o fato de ter poucas varas Maria da Penha não interfere no aumento de registros de ocorrências. "De modo algum. Mesmo não tendo os juizados específicos que a lei prevê, as mulheres são apoiadas em cidades que não existem varas especializadas em varas criminais comuns. A mesma disciplina é aplicada a todos. Lógico que uma vara especializada pode dar mais atenção que uma vara que julga todos os tipos de crimes comuns e normalmente é muito tumultuado, mas em termos de ser corretamente aplicada, a eficiência é a mesma coisa", argumentou.

ESTATÍSTICA
Segundo o Instituto Maria da Penha, a cada sete segundos uma mulher é vitima de violência física no país, cerca de 500 por hora. Um levantamento realizado pela doutora em demografia pela Unicamp Jackeline Aparecida Ferreira Romio apontou que o maior número de feminicídios domésticos foi na faixa de 15 a 49 anos, que coincide com a idade reprodutiva. De 2009 a 2014 foram mortas 5.598 mulheres nesta idade, do total de 7.707 feminicídios, o que representa mais de 70% de todos os casos domésticos registrados no período estudado. Quando a violência sexual é a causa da morte, o percentual de vítimas de 0 a 14 anos foi de 40% dos casos.

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