São Paulo, 08 (AE) - A investigação da Procuradoria Regional Eleitoral sobre a suposta doação do empresário Calim Eid para a campanha a deputado federal de Silvio Rocha de Oliveira, ex-assessor de Paulo Maluf (PPB), não está indo para a frente. O motivo: Rocha sumiu. Ele não está sendo encontrado em seu endereço, segundo a procuradora Alice Kanaan, que se viu obrigada a confrontar as versões que Eid e Rocha deram em depoimentos à polícia. A idéia inicial era de acareação entre os dois. "Ele não está foragido, mas há 30 dias não aparece em sua casa", conta Alice.
As versões dadas por Eid e Rocha à polícia, porém, não mostram a contradição entre as declarações dadas na CPI dos Fiscais, na Câmara. Ex-funcionário "intocável" da regional da Penha (contratado pela Prodam), Rocha afirmou no depoimento ter recebido US$ 50 mil de Eid, coordenador de campanha de Maluf. Essa quantia teria sido usada por Rocha para comprar o sobrado onde não foi encontrado pela procuradoria, em Artur Alvim, na zona leste.
Eid disse na CPI que as despesas de campanha de Rocha - que acusou Maluf de ser pai de sua neta - poderiam ser comprovadas na Justiça Eleitoral. No TRE, porém, o nome de Rocha também não aparece na prestação de contas do Comitê Financeiro do PPB, que relaciona todas as pessoas que receberam dinheiro, as quantias e quem doou.
Em entrevista ao Grupo Estado, Rocha afirmou que fez sua campanha sem dinheiro e a única ajuda que recebeu do PPB foi para confecção de "santinhos". "Meu comitê era o sofá de minha sala, que recebia uma média de 80 pessoas por noite", disse. Numa fita de vídeo apreendida por policiais que investigam a máfia dos fiscais, Rocha diz que o "presente" - os US$ 50 mil - foi entregue para que ele não revelasse à oposição a possibilidade de Maluf ser o pai de uma neta dele.
Essa fita havia sido entregue ao Ministério Público quando Rocha foi relatar ameaças sofridas pelo vereador Vicente Viscome (sem partido), que alterna hoje a prisão com as sessões na Câmara. Na fita, o ex-assessor de Maluf relata que o ex-prefeito teve um caso com sua filha Silvana, na época com 15 anos.
Rocha foi denunciado pelo Ministério Público no inquérito que apura a corrupção na regional da Penha, controlada por Viscome. Rocha é acusado de comandar um esquema de extorsão contra responsáveis pela instalação de faixas de publicidade em vias públicas.

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