Um adolescente de 17 anos assumiu a autoria dos disparos que deixou duas pessoas mortas e três feridas em uma lanchonete na sexta-feira (17), em Campo Mourão (Centro-Oeste). Ele se apresentou à PCPR (Polícia Civil do Paraná) na manhã desta segunda-feira (20), com a arma utilizada no atentado, e permaneceu apreendido.

Segundo a delegada Laís Mendonça Alves, que conduz a investigação, a motivação seria vingança contra uma das vítimas, uma mulher de 40 anos que ficou gravemente ferida. Em depoimento, o adolescente disse que guardava mágoa por uma ação coordenada em 2024 pela vítima, numa situação que provocou ferimentos em sua mãe, nele próprio e que, mais tarde, teria ocasionado a morte do irmão. Esta ação não foi detalhada pela delegada.

“Ele alegou que não teve outra oportunidade, que já pensava em, de fato, cometer esse atentado contra a vítima, mas nunca a havia achado desde os fatos. [Disse] que tomou conhecimento que ela estaria naquele estabelecimento, passa pelo local várias vezes, confirma a estadia dela e vê ali a única oportunidade de vingar o ocorrido em 2024 com ele e sua família”, disse Laís.

Imagens registradas em câmeras de segurança mostram o autor dos disparos passando em frente à lanchonete, até que volta com o rosto encoberto e passa a atirar contra os consumidores. Em seguida, ele foge sozinho. Embora tivesse apenas um alvo, os disparos atingiram Marcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38 anos, que morreram, e feriram a mulher que o adolescente pretendia alvejar e outras duas pessoas que não tinham relação com o ocorrido.

“Ele, que não é atirador, fez os disparos de uma distância realmente [grande] e não tinha como acertar somente ela. Atingiu outras pessoas que nada tinham a ver com os fatos. Lamentável”, disse o delegado-chefe da 16ª SDP (Subdivisão da Polícia Civil), Nilson Rodrigues da Silva.

Após o ocorrido, policiais civis e militares iniciaram buscas para apreender o adolescente. Na casa da mãe dele, foram encontradas drogas, munições e explosivos, o que levou à sua detenção. De acordo com Laís Alves, ela foi solta e vai responder em liberdade.

Arma e explosivos

No depoimento desta segunda, o adolescente também disse que a pistola utilizada no ataque teria pertencido ao irmão e que ele se manteve de posse da arma na intenção de praticar a vingança. “As alegações são de que ele não teria comprado ou negociado essa arma, nem a estaria acautelando para ninguém”, informou a delegada. Já em relação aos explosivos, o adolescente justificou que os encontrou durante uma pescaria em um lago e que decidiu guardá-los.

A Justiça atendeu a pedido da Polícia Civil e determinou a apreensão do adolescente, que foi encaminhado para o Cense (Centro Socioeducativo) de Campo Mourão. As investigações ainda vão apurar se ele obteve auxílio para a fuga, já que houve suspeita de que a namorada teria ajudado a se esconder. Porém, o acautelado disse que ela não tinha conhecimento dos fatos logo após o ocorrido e que, por isso, não teria prestado apoio logístico. “A gente vai continuar as diligências. Nosso objetivo é apurar a verdade, então, não adotamos integralmente o que é mencionado. Vamos apurar todas as linhas, todas as possibilidades serão melhor apuradas nas demais diligências que vão ser ainda formadas”, diz a delegada.

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