São Paulo, 24 (AE) - A indústria de autopeças vai faturar este ano US$ 10 bilhões. O total representa uma queda de 32% na comparação com o ano passado, mas se descontada a desvalorização da moeda, a retração é de 10%. O setor prevê recuperar-se no próximo ano e atingir faturamento de US$ 11 bilhões. O nivel de investimentos caiu de US$ 1,58 bilhão em 1998 para US$ 1 bilhão este ano. A expectativa é investir US$ 1 1 bilhão no ano 2000. A indústria terminará este ano com superavit de US$ 50 milhões.
Segundo o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, que divulgou os números hoje, havia expectativa de atingir um superavit de US$ 1 bilhão. Mas a crise na Argentina foi o principal motivo da queda. A indústria de peças trabalha com ociosidade de 35% e vai manter este nível no próximo ano. Mas Butori disse que não haverá alteração no nível de emprego, que está em 167 mil empregados.
Fornecimento - A indústria de autopeças ameaça interromper o fornecimento para as montadoras em razão da dificuldade em negociar preços de matérias-primas. O Sindipeças enviou uma carta a todos os presidentes de montadoras avisando que em Assembléia as empresas do setor decidiram que não vão mais arcar com aumento de preços de insumos. "Se isso provocar uma paralisação nas nossas fábricas as montadoras também poderão parar", disse o presidente do Sindipeças, Paulo Butori.
"Estamos num processo delicado de negociação", acrescentou. Até agosto, papel e papelão subiram 39%, produtos químicos 37%, borracha 30%, tintas e vernizes 26%. O aço, que havia subido 19% até agosto, foi reajustado em mais 12% no segundo semestre.

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