Aumento da força, do equilíbrio e da capacidade cardiorrespiratória - para idosos, além desses benefícios, a prática de musculação e exercícios aeróbicos também significa autonomia para as atividades do dia-a-dia. Além de melhora na qualidade de vida.
Pesquisa da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, mostra que exercícios melhoram no idoso a confiança no próprio corpo, diminuindo inclusive sentimentos como o medo de quedas. Pesquisa do Laboratório de Atividade Física e Promoção da Sa© úde (Labsau) da Universidade do Rio de Janeiro (Uerj) mostrou um aumento de 60% na força dos músculos de idosos que praticaram musculação duas vezes por semana (leia matéria nesta página).
Nos últimos dois anos, 60 idosos, com idade entre 60 e 80 anos, participaram do projeto ProVida, na Unopar. Duas vezes por semana, as senhoras levantaram peso, ''puxaram ferro'' e levaram a sério a malhação. Segundo o professor de educação física Denilson de Castro Teixeira, coordenador do projeto, o objetivo foi proporcionar exercícios para aumentar a força muscular, tanto dos membros superiores, quanto inferiores, a flexibilidade e o alongamento, e atividades neuromotoras, para estimular o equilíbrio, a agilidade, a coordenação motora, e o tempo de reação.
Na pesquisa inicial com os idosos, quando começaram os exercícios, 40% deles já haviam sofrido queda nos dois anos anteriores, 14% com consequências mais graves, como fraturas e entorses. Segundo Teixeira, 60% dos idosos tinham medo constante de queda. ''Medo que pode restringir as atividades do idoso, até mesmo dele sair de casa e interagir com outras pessoas. Se o idoso perde a autonomia, fica em uma condição de fragilidade, dependendo de outras pessoas'', ressalta Teixeira.
Dois anos depois, e muita malhação, os resultados foram animadores - o medo de queda teve uma redução de 50%, enquanto houve ganho de força muscular, flexibilidade e agilidade.''Idosos sem força muscular se sentem ineficazes, chegando a restringir atividades corriqueiras. A ausência do medo de quedas é um valor subjetivo, mas relacionado ao fato do idoso se sentir bem fisicamente, se sentir capaz'', observa.
A pesquisa apontou ainda um ganho de 14% da força muscular das pernas, e 21% de aumento da agilidade corporal. Números que, segundo o professor, são ''estatisticamente significativos''. ''Levando-se em conta que a velhice é um período de declínio destas capacidades, podemos considerar que foi uma melhora importante'', afirma.
Um processo de envelhecimento saudável, salienta o professor, depende do estilo de vida e de como se usa, ou não, o corpo. Ele explica que cada pessoa tem uma ''capacidade de reserva'', uma espécie de reservatório de saúde, que pode ser maior ou menor, e que depende da genética, mas principalmente de como se cuida do corpo. ''É a capacidade que as pessoas tem, por exemplo, de se recuperar de uma gripe. Se não se pratica exercícios a vida toda, essa capacidade de reserva é mais baixa. Mas mesmo se a pessoa chegou na velhice assim, ainda é possível melhorar'', afirma.
O projeto ProVida, que tem continuidade este ano, ampliou para 70 idosos o número de participantes. São 60 mulheres e 10 homens, que têm acesso no projeto à hidroginástica, além da musculação, e acompanhamento com nutricionistas e fisioterapeutas.

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