São Paulo, 10 (AE) - Indústria, varejo e atacado - cerca de 60 empresas - estão engajadas no mesmo movimento: implantar no Brasil o "Efficient Consumer Response" ou Resposta Eficiente ao Consumidor (ECR). A estimativa é que esse projeto se concretize no prazo de dois anos. Tão logo o plano seja implantado, prevê-se uma redução inicial nos custos em toda cadeia de suprimentos de até US$ 5 bilhões, segundo projeção da Price Waterhouse.
O ECR será uma das atrações da Abras 99, entre os dias 13 e 16, no Riocentro. Por trás de ferramentas como EDI, Gerenciamento de Categorias e Reposição Contínua de Mercadorias, serão demonstradas formas de interação da indústria com o varejo capazes de reduzir estoques, baixar o índice de falta de mercadorias e permitir que cada loja organize suas gôndolas de acordo com o desejo dos clientes.
A Resposta Eficiente ao Consumidor vai muito além da simples troca de documentos eletrônicos (EDI), importante ferramenta para reduzir o tempo gasto na conferência de pedidos e emissão de notas fiscais, talvez o aspecto hoje mais conhecido da ECR.
O conceito é amplo e envolve todos os processos de transporte, distribuição, armazenamento e apresentação dos produtos na loja. Ou seja, todos os processos entre a fabricação e a venda ao consumidor e que representam até 35% do preço final do produto.
"A idéia é mostrar que cada compra na loja afeta diretamente a rede de supermercados e a indústria. Com todos os elos da cadeia integrados, quem lucra é o consumidor", afirma José Humberto Pires de Araújo, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
O Supermercado ECR, com 300 metros quadrados e sete estações, terá visitas programadas e monitoradas. O objetivo é demonstrar cada uma das ferramentas, como Gerenciamento de Categorias; Reposição Contínua de Mercadorias; EDI Mercantil; Processos Financeiros, Padronização e Custeio ABC.
Argentina - Na Argentina, onde o ECR prevalece há três anos, os custos foram reduzidos US$ 1,8 bilhão. Nos Estados Unidos estima-se que a queda total em toda cadeia exceda os US$ 30 bilhões.
Empresas do porte de Pão de Açúcar, Makro, Nestlé, Quaker Brasil, Companhia União dos Refinadores Açúcar e Café, Adriano Coselli, entre dezenas de outras, estão debruçadas desde junho do ano passado sobre o projeto Movimento ECR Brasil na expectativa de integrar os processos logísticos e comerciais ao longo da cadeia de abastecimento de produtos.
A nova estratégia passa para um esquema no qual se atende a real demanda do consumidor, e ao mesmo tempo, se reduzem estoques e custos de operação. Com esse sistema, a reposição é feita dentro de, no máximo. 24 horas: o fornecedor recebe o pedido automaticamente no momento em que o revendedor dá baixa no estoque, ao registrar o produto como vendido no caixa, através do código de barra.
Nos padrões atuais, entre a visita do vendedor, emissão do pedido e entrega do produto são necessários cerca de oito dias. Nos EUA, em se tratando de mercearia seca, o corte estimado nos estoques da cadeia de distribuição é em torno de 41%, de 104 dias para 61 dias.
"O ECR implicará numa redução de custos de estoque em torno de 5% no varejo. Na indústria a despesa cairá cerca de 2 5%", afirma Paulo Henrique Martins, gerente executivo de planejamento de logística da Nestlé. Pelas suas contas, até fins do próximo ano, 12 empresas varejistas já terão condições de operar dentro deste sistema.

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