Auto-peças perderam 28,5% de suas vendas para o Brasil
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 15 (AE) - As exportações de auto-peças para o Brasil caíram 28,5% nos primeiros sete meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A informação foi divulgada através de um relatório do Departamento de Assuntos Comerciais da AFAC, a associação de fabricantes de auto-peças da Argentina. O relatório acusa a recessão brasileira e a desvalorização do real como as causas de crise que o setor vive na Argentina.
Em 1998, 60% das exportações argentinas de auto-peças eram destinadas ao mercado brasileiro, proporcionando vendas de US$ 402 milhões nos primeiros sete meses. Neste ano, as vendas foram de US$ 287 milhões. Os empresários argentinos rejeitam acusações de terem uma indústria desatualizada e não-competitiva, mostrando como contra-argumento que as vendas para o resto do mundo aumentaram 12%. As principais quedas foram registradas nas vendas de sistemas de breques (-66%), equipamento interno (-60%) e rodas e pneus (-52%).
A crise nas empresas de auto-peças está fazendo que várias delas fechem suas portas na Argentina, e se mudem para o Brasil. Mais de vinte empresas já partiram para o vizinho do Mercosul ou estão a ponto de fazê-lo. A União Industrial Argentina (UIA) protestou por esse êxodo, declarando que a mudança das empresas ao Brasil causa "maior desemprego e desintegração produtiva". A UIA acusou o Brasil de "subsidiar a instalação e o funcionamento de empresas que se instalam ali".
Terminou hoje sem conclusões mais uma reunião das associações de montadoras do Brasil e a Argentina.
Francisco Pinheiro Neto, presidente da brasileira Anfavea e Luis Ureta Sánez Peña, o novo presidente da argentina Adefa, reuniram-se em Buenos Aires para "discutir e escolher pontos de convergência e oferecê-los como contribuição às negociações governamentais sobre o acordo automotivo". No entanto, segundo porta-vozes da Adefa disseram à Agência Estado, "não houve resultados significativos".
Para tentar chegar a uma definição sobre o regime automotivo, se reunirão amanhã em Buenos Aires José de Botafogo Gonçalves, diretor da Câmara de Comércio Exterior, e Hélio Mattar, secretário de Política Industrial do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio com integrantes do novo governo argentino. Eles se reuniriam com o secretário de Relações Econômicas Internacionais, Horacio Cighizola, e a secretária de Indústria e Comércio, Debora Giorgi.


