O aparato tecnológico, a rapidez da circulação da informação, a globalização das economias e das sociedades,... esses e outros aspectos da vida contemporânea acabaram influenciando decisiva e definitivamente no mercado de trabalho e no perfil do profissional exigido pelas empresas.
Certos de que a competência gerencial – leia-se metas e objetivos visando resultados efetivos – passa por profissionais capazes de desempenhar suas atividades em equipes bem motivadas, as empresas, sobretudo as do setor de tecnologia, estão procurando colaboradores que sejam empreendedores: um profissional disposto a aprender, a trabalhar em equipe e que usa as diferenças individuais a favor do grupo e equilibrado emocionalmente.
Essa mudança na mentalidade empresarial, segundo a mestre em psicologia organizacional, Maria Helena Schuck, surgiu na Europa do pós-guerra mas só agora está aportando nos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil. A psicóloga esteve em Londrina justamente à convite de um grupo de 30 profissionais de Recursos Humanos de Londrina e região para falar
sobre esse novo conceito.
À Folha, ela disse que o ‘‘século passado (XX) foi o século do ter’’ e que agora vivemos ‘‘a era do ser’’. No Brasil, esse novo profissional já vem sendo moldado em algumas universidades – nos cursos de Engenharia e Administração –, escolas particulares e, em menor escala, em escolas públicas.
‘‘A mudança significativa começa com uma mentalidade empresarial e pessoal em transformação, mais flexível, menos rígida’’, aponta a psicóloga. E essa mudança, destaca, acontece profundamente quando se mudam as atitutes.
Schuck esclarece que nos aspectos intrapessoais, o mercado busca um profissional que se auto-conheça e que tenha auto-controle. Nos aspectos interpessoais, o profissional tem que ter espírito de liderança, com capacidade para resolver problemas e estabelecer relações significativas e duradouras, que saiba lidar com o estresse diário e com potencial para administração. E ela diz mais: ‘‘a relação interpessoal influi concretamente na forma de trabalho, já que as coisas são feitas e construídas pelas nossas mãos’’.
Mas a psicóloga lembra que toda essa transformação não acontece do dia para a noite e nem através de memorandos internos. O primeiro entrave começa nas definições. É muito comum, segundo Schuck, se pensar que trabalho em equipe é sinônimo de trabalho em grupo. De acordo com ela, um grupo, via de regra, se reúne sem um objetivo ou uma meta a ser alcançada e, normalmente, para resolver problemas pontuais. Já o trabalho em equipe visa metas comuns, bem definidas para cada membro e com prazos para serem alcançadas. ‘‘Para trabalhar em equipe, os insumos individuais são reelaborados através de concessões mútuas, onde os objetivos afetivos são tão válidos como os objetivos das tarefas’’, pontua.
O conflito também pode ocorrer em relação às idéias, onde as divergências devem ser consideradas pelo aspecto profissional e não pelo aspecto pessoal. É o que ela chama de disfunção: quando a competência técnica passa a ser mais vital do que a competência interpessoal para a consecução dos objetivos.
Existe ainda o que ela classifica como auto-sabotagem profissional, como por exemplo, o pessimismo exagerado, a falta de motivação e o uso de álcool e outras drogas.

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