Nice, França, 05 (AE) - A Austrália levou o título histórico da 100ª edição da Copa Davis, com a vitória de Mark Philippoussis sobre Cedric Pioline por 6/3, 5/7, 6/1 e 6/2, marcando o ponto decisivo. Logo depois, Lleyton Hewiitt perdeu para Sebastien Grosjean por 6/4 e 6/3, num jogo em que não valia mais nada, mas serviu para definir o placar de 3 a 2 a favor da Austrália diante da França, nesta memorável final em Nice.
Herói desta 27ª conquista na Davis da Austrália, e primeira desde 1986, Mark Philippoussis disse depois de vencer Pioline, que espera agora deixar de ser lembrado apenas como um tenista de um saque poderoso. Quer merecer o respeito como um tenista completo e capaz também de conseguir bons resultados nas quadras de saibro, como fez neste fim de semana, em Nice, com duas importantes vitórias nas partidas de simples.
"Mark é agora um dos favoritos a ganhar o título de Roland Garros", festejou com euforia o técnico australiano John Newcombe, uma legenda do tênis, e ex-número 1 do mundo.
Exageros à parte, Philippoussis realmente provou que pode conseguir bons resultados também fora das quadras rápidas, onde seu poderoso saque é uma eficiente arma. No saibro, diante de Pioline, aplicou 13 aces na vitória de hoje, mas também mostrou outros recursos, que provam as qualidades técnicas deste jogador de quase dois metros de altura. "Este é o melhor momento de minha vida", afirmou Philippoussis em meio a festa australiana, enquanto Pioline, chorando ao lado da quadra, era amparado por Guy Forget, técnico francês.
A imensa alegria de Philippoussis tem bons motivos para ser festejada. Filho de imigrante grego, que trabalhava como motorista de taxi na Austrália, Mark, com 23 anos, sofreu muito antes de chegar a este momento de glória. Até bem pouco tempo, na sua época de juvenil, eram frequentes os casos em que apanhava do pai, quando perdia seus jogos.
Talentoso e um touro de forte na quadra, Mark Philippoussis chegou a ser apontado como o jogador do futuro, preenchendo requisitos como preparo físico, potência nos golpes e boa técnica. Mas ainda faltava boa orientação. E, por isso, passou por uma época instável, irregular, alternando bons e maus resultados.
Os australianos, de tanta tradição no tênis, não deixaram escapar a oportunidade de contar com um grande tenista. O ex-campeão de Wimbledon, Pat Cash, passou a treinar Philippoussis e vários astros do tênis da Austrália também emprestaram prestígio e apoio, como John Newcombe, Tony Roche, entre outros que sempre estão acompanhando as partidas de Philippoussis nos torneios internacionais. Este ano, Philippoussis estava na lista dos que corriam por fora para conquistar Wimbledon. Só não foi mais longe por causa de uma contusão, como lembrou hoje.
"Se não tivesse sofrido a contusão no joelho, poderia ter ido longe em Wimbledon", disse. "Tenho certeza de que não faltará outras oportunidades." Na Copa Davis, Philippoussis provou também ter superado um problema de falta de concentração que tanto o prejudicou. "Joguei diante de dez mil pessoas e não ouvi um ruido sequer", contou. "Só escutava o barulho da bola, as chamadas dos juízes de linha e o meu coração batendo."

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