Ausências muito sentidas
Ao lado dos que fizeram e continuam a fazer a História da Folha há também, o que é natural num período de meio século, alguns que já deixaram este mundo mas que marcaram sua passagem. Muitos nomes.
Um deles é o do dr. Pedro Vergara Correia. O doutor faz parte do nome daquele grande jornalista e advogado trabalhista gaúcho que aportou por Londrina nos tempos pioneiros, defendeu trabalhadores e fez jornalismo. Um dia, nos anos 60, voltou à Folha para ficar como redator internacional e colunista (escrevia, claro, sobre sindicalismo). E nos anos em que ficou, até se aposentar, só fez aumentar o carinho de quantos - principalmente os mais jovens - trabalharam ao seu lado.
Vale a pena lembrar também Ermiro Barbosa Lemes, que todos conheciam aqui como Miroca, que entrou no jornal por causa de seu espírito cívico, que o levava a não faltar a nenhuma sessão da Câmara Municipal. Chegavam a chamá-lo de vereador 21 (na época, a Câmara só tinha 20 vereadores).
Quem cobria as sessões da Câmara era o Aristides de Moraes, um competente profissional que resolveu ir embora para Brasília. Foi, gostou tanto que ficou até hoje. Mas deixou um problema: quem poderia fazer a cobertura da Câmara para o jornal? Foi aí que surgiu o tal vereador 21, o Miroca. Para ele, era fácil, pelo menos uma parte do serviço - anotar o que acontecia na Câmara. O problema vinha depois. As sessões da Câmara aconteciam à noite, acabavam tarde. Depois da sessão, chegava o Miroca à redação com aquele calhamaço de anotações. Então, um redator tinha de transformar aquilo em matéria redatorial, o que não encerrava o trabalho. Pois como se tratava de assunto sério, a matéria ia para as mãos do diretor de Redação, Nilson Rímoli, de onde voltava bem modificada. Então vinha a segunda cópia, por vezes até a terceira. Miroca e o redator saíam do trabalho alta madrugada.
Muito interessado no trabalho, Ermiro foi também aprendendo o jeito, acabou se tornando seu próprio redator, converteu-se em jornalista. Ligado à política, com posições definidas, foi conquistando espaços na redação. Também pagou o preço: Ermiro era funcionário público, muito ligado à antiga UDN. Quando os rivais políticos conquistaram a Prefeitura, teve de enfrentar algumas dificuldades. Depois, acabou indo para Curitiba, ao lado do então vice-governador José Hosken de Novaes a quem admirava e para quem trabalhou com a mesma disposição.
O dr. Vergara e Miroca já morreram. Ambos depois de haver deixado a redação. Ainda assim, cada um a seu modo, a exemplo de muitos outros que por aqui passaram e já fizeram a grande viagem, deixaram marcada a passagem pelo trabalho, pelo carinho, pela dedicação e, principalmente, pela amizade.





