Rio, 24 (AE) - O juiz da 10ª Vara Federal da Fazenda Pública, Edson Aguiar, adiou para maio a audiência, que deveria ocorrer hoje, sobre o pedido de indenização requerido pela família do funcionário da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jorge Careli, contra do Estado do Rio. Carelli desapareceu em maio de 1993, após ser detido por policiais da Divisão Anti-Sequestro (DAS). O adiamento foi causado pela ausência dos dez policiais arrolados como testemunhas de defesa pelo procurador Mário Figueira. Porém, como funcionários da Fiocruz que estiveram no fórum alegaram que os pais de Careli, Antônio e Maria Célia, se sentiam intimidados pelos policiais, o juiz dispensou a presença dos dois na próxima sessão.
Careli era zelador da Fiocruz e desapareceu após ser abordado por policiais que faziam diligências sobre um caso de sequestro. A família acredita que ele tenha sido morto, mas seu corpo nunca foi encontrado. Em 1995, 23 policiais da DAS foram julgados pelo desaparecimento e, embora o juiz da 6ª Vara Criminal, Heraldo de Oliveira, tenha reconhecido a responsabilidade do Estado, nenhum dos acusados foi condenado porque não se conseguiu provar a culpa individual de nenhum deles.
Os pais de Careli decidiram, então, ingressar com uma ação pedindo indenização do Estado porque o rapaz era arrimo de família. "Queremos o atestado de óbito dele ou o corpo para podermos enterrá-lo", explicou o advogado Haroldo dos Anjos, que defende Antônio e Maria Célia Careli.
O advogado dos Careli se disse decepcionado com o adiamento. Ele esperava uma sentença a favor de seus clientes. Para ele, no entanto, a dispensa do casal da próxima sessão não deixa de ser uma vitória. "Não temos mais que provar a responsabilidade do Estado neste crime, mas a decisão do juiz de evitar o confronto com os policiais é o reconhecimento da periculosidade dos mesmos".

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