Porto Alegre, 03 (AE) - O ex-vice-presidente da República Aureliano Chaves disse hoje, após audiência com o governador Olívio Dutra (PT), que "tanto Minas Gerais quanto o Rio Grande do Sul buscam o diálogo e o entendimento, mas não temem o confronto" com o governo federal. Ele disse que se a União mantiver a "falta de senso" de retaliar os governadores que questionam suas dívidas, os estados têm o direito e o dever de se "postar de maneira firme e clara" na defesa dos seus interesses.
Recebido por Olívio com o embaixador José Aparecido de Oliveira na condição de emissários do governador Itamar Franco, Aureliano classificou de "atitude antifederativa" a recomendação do governo federal para os bancos internacionais suspenderem os financiamentos aos dois estados. Ele reafirmou que Minas e Rio Grande do Sul têm intenção de honrar seus compromissos com a União, mas querem compatibilizar os pagamentos com suas respectivas condições financeiras.
Segundo o ex-vice-presidente, o pacto federativo está sendo "abalado" por uma situação que "prejudica sensivelmente os estados". O problema, de acordo com ele, é causado pela Lei Kandir, pelo Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e pelas elevadas dívidas estaduais, grande parte das quais "é resultado dos juros exorbitantes" alimentados pelo governo federal. "O presidente Fernando Henrique Cardoso deveria dialogar com os governadores mas escolheu o caminho da falta de senso", acrescentou.
Aureliano disse ainda que a "esdrúxula idéia da reeleição" criou "duas safras" de governadores, sugerindo que a situação cria dificuldades para a união completa dos estados na renegociação de suas dívidas com o governo federal e acirra a crise da federação. "Os reeleitos vão cumprir os compromissos que eles mesmo assinaram", disse. "Já os que foram eleitos se defrontaram com os acordos firmados por seus antecessores e poderiam questioná-los com maior legitimidade."

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