Curitiba - A violência contra homossexuais no Paraná aumentou muito nos últimos anos. O alerta é do Grupo Gay da Bahia, que há três décadas acompanha o número de mortes de homossexuais pelos registros em jornais em todo o Brasil. Desde que o acompanhamento começou, o grupo contabilizou 92 crimes com conotação homofóbica no Estado. Na década de 70, foram três homicídios; nos anos 80, 23; na década de 90, 50 mortes; e 16 homicídios de 2000 até agora.
''São crimes em que a condição de homossexualidade teve algum tipo de interferência'', relatou o presidente do Grupo Gay, Luiz Motta, que também é professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Dos 92 homicídios no Paraná, 81 ocorreram em Curitiba, na casa das vítimas. ''Curitiba é apontada como modelo de humanidade, mas em violência sexual é uma barbárie'', avaliou.
Segundo Motta, a maioria dos crimes homofóbicos são de latrocínio (roubo seguido de morte). Alguns grupos e gangues praticam violência contra gays, mas há outras razões que levam ao crime, segundo Motta. ''No Paraná há uma presença muito forte de europeus, que observam mais o cristianismo, o que faz com que as pessoas vejam o homossexual como um pecador gravíssimo'', avaliou. Segundo ele, ainda há muitos casos de discriminação e preconceito contra gays no Paraná, como a família de um rapaz que o espancou por ele ser gay. Motta disse que há três caminhos para acabar com a homofobia. ''Punição exemplar para quem discriminar ou matar, educação sexual obrigatória e que a própria comunidade homossexual denuncie qualquer forma de discriminação'', relatou.

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