Aumentos na área da saúde são escandalosos, diz FHC
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso classificou hoje de "escandalosos" os aumentos abusivos na área da saúde. Diante do anúncio de reajustes nos marcapassos, o Ministério da Saúde decidiu estimular os hospitais a fazer a importação direta do produto. O ministro José Serra ainda se reuniria hoje com produtores de insumos hospitalares, mas já adiantou que o governo tomará "todas as medidas" para evitar reajustes injustificáveis. O governo está estudando a revisão de tarifas de importação dos componentes do marcapasso para incrementar a produção interna.
Fernando Henrique salientou que o governo tem obstáculos a ultrapassar. O principal deles, disse, é a falta de responsabilidade social. "Se há área onde fica escandaloso o trabalho daqueles que não têm essa responsabilidade é a área da saúde", afirmou. O presidente defendeu medidas enérgicas para evitar abusos. Disse que o governo não pensa em controlar preços. "Mas não se pode imaginar que o governo deva estar de braços cruzados assistindo aos abusos", disse.
O ministro da Saúde afirmou que está estimulando os hospitais do Rio de Janeiro e de São Paulo a adotarem a aquisição conjunta de marcapassos, cuja demanda na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 15 mil aparelhos. "Temos a aliança de todos os hospitais, públicos e privados", disse Serra.
De acordo com Serra, o governo obteve um acordo razoável com as indústrias de remédios. "Mas o caso mais escandaloso é o dos marcapassos", ressaltou o ministro, referindo-se a aumentos
nos últimos dias, dos chamados insumos hospitalares.
No caso de órteses e próteses, conforme o ministro, também há denúncias de reajuste de mais de 60%. Nos entendimentos com fornecedores, o ministro dirá que não aceita os reajustes propostos. Ele não negou a possibilidade de um aumento na tabela de pagamentos do SUS. "Mas ela nunca será aumentada na proporção que eles estão tentando impor via chantagem", informou.
O governo calcula que um marcapasso no exterior esteja custando m média US$ 1 mil, enquanto os produtores pretendem cobrar acima de R$ 4 mil no Brasil. O Ministério da Saúde está estudando a lei de licitações e até mesmo a possibilidade de usar a compra de emergência, diante da necessidade de evitar o desabastecimento nos hospitais.


