Rio, 5 (AE) - O aumento do óleo diesel provocou a primeira decepção dos caminhoneiros com o sindicalista Nélio Botelho, presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (UBC) e que se apresenta como porta-voz da categoria nas negociações com o governo federal. "Ele foi seduzido pelo poder e pela fama
por isso é que eu não acredito em sindicalista", protestou Oswaldo Monteiro da Silva, de 47 anos, que trabalha há 22 anos na profissão.
A opinião de Silva é a mesma da maioria dos motoristas que, hoje à tarde, estava estacionada no Parqueamento de Apoio Rodoviário do Caminhoneiros (Parc), pátio de 20 mil metros quadrados que funciona atrás da Cooperativa Brasileira de Caminhonheiros (Cobrascam), da qual Botelho é presidente.
Na quarta-feira, o governo federal anunciou aumento de 5 5% no preço do óleo diesel na bomba a partir de sábado. Hoje, o litro no posto varia entre R$ 0,55 a R$ 0,65. "Esse aumento vai só piorar a nossa situação, porque a transportadora vai querer repassar o prejuízo para a nossa conta", disse Márcio Aparecido Cantarino, de 28 anos.
Caminhoneiro há oito anos, ele ganha cerca de R$ 700 por mês para sustentar uma família de quatro pessoas. "Se tínhamos a esperança de conseguir algum lucro a mais com a greve da semana passada, o aumento do óleo diesel pôs tudo abaixo", lamentou Cantarino.
Ele e outros caminhoneiros não descartam a possibilidade de parar novamente, ao contrário do que vem anunciando Botelho. O presidente do UBC defende-se dizendo que o congelamento do óleo diesel não fazia parte da proposta apresentada, na semana passada, ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Segundo Botelho, a idéia partiu do próprio ministro, durante reunião do dia 28, em São Paulo, entre Padilha e cerca de 20 sindicalistas. "Mesmo assim, conseguimos reduzir o reajuste que, a príncipio, seria de 16% para 5,5%", ponderou o sindicalista. "Foi uma derrota, mas trata-se de uma negociação complexa e, se voltássemos à greve agora, poderíamos colocar todas as outras reivindicações em risco, inclusive a modificação do Código Nacional de Trânsito."
Na reunião de quarta-feira do grupo de trabalho, montado pelo Ministério dos Transportes para discutir as exigências dos caminhoneiros, o governo apresentou um projeto de lei que amplia 20 para 30 os pontos máximos para que todos os motoristas percam a habilitação.
O grupo de trabalho - do qual participam, além da UBC, entidades patronais, como a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) - terá 90 dias para discutir soluções para as propostas apresentadas pelos caminhoneiros.
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná, Dilmar Cunha Bueno, contesta Botelho. Para Dilmar, que esteve no encontro da semana passada com Padilha, em São Paulo, o governo "quebrou a promessa que fez" aos caminhoneiros ao anunciar o aumento do óleo diesel.
"Na ocasião, ministro propôs o congelamento do preço do combustível e a suspensão da pesagem obrigatória enquanto ocorressem as reunião do grupo de trabalho, já que a idéia naquele momento era sensibilizar a categoria a terminar a greve", contou. "Mas não foi o que aconteceu."

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