Brasília, 21 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, por meio de seu porta-voz Georges Lamaziere, que a concessão de "certos níveis mais expressivos de aumento" para o salário mínimo só seria possível com o "aumento de impostos ou corte nos investimentos" do governo. Essas seriam as duas alternativas possíveis porque "ninguém identificou uma fonte significativa para o aumento do mínimo".
Esse tipo de argumento deverá ser repetido pelo presidente Fernando Henrique na reunião que terá com os líderes da base aliada na quinta-feira (23), a partir das 17h30. O presidente manteve hoje diversas reuniões com os ministros da área econômica para discutir o mínimo. Fernando Henrique esteve pelo menos duas vezes com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Da primeira reunião participou também o secretário nacional da Receita Federal, Everardo Maciel.
Segundo um interlocutor do presidente, Fernando Henrique poderá até negociar um valor com o Congresso - dando um reajuste acima dos R$ 150 propostos pela equipe econômica. "Para não ter essa coisa de que a equipe econômica venceu, mas que R$ 180 é inimaginável", disse o interlocutor. Mas o porta-voz evitou relacionar a advertência do presidente sobre a necessidade de aumento de impostos à proposta do PFL para o mínimo (US$ 100).
Quando os jornalistas indagaram se o presidente poderia propor aumento de impostos para atender a pedidos como o do PFL, Lamazire respondeu: "Não; ele está apenas mostrando que não foi identificada uma fonte de recursos para certos níveis mais expressivos de aumento e que, portanto, se estaria, de certa maneira, obrigado a considerar essas duas hipóteses."
O porta-voz também não quis dizer qual seria o reajuste que obrigaria o presidente a aumentar impostos ou cortar programas. "Não tenho os dados aqui, até porque esses dados estarão sendo finalizados", disse Lamazire. " Evidentemente, para cada nível de aumento grande, é preciso se ver com realismo o que se pode fazer." Lamazire enfatizou que o assunto será melhor debatido entre o presidente e os líderes dos partidos aliados no Congresso na reunião convocada pelo presidente.

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