Aumento dos combustíveis é única razão da alta da Fipe
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segunda-feira, 19 de julho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 20 (AE) - O aumento dos combustíveis é o único responsável pela alta de 0,53% no IPC-Fipe da segunda quadrissemana de julho. Somados, os reajustes da gasolina e do álcool trouxeram uma elevação de 0,52% no índice, de acordo com o coordenador do IPC, Heron do Carmo. Na segunda quadrissemana de julho, a alta do álcool foi de 15,21%, e da gasolina de 10 59%. Desde a segunda quadrissemana de dezembro de 1998 até agora
a gasolina subiu 32% e o álcool teve uma queda de 3,83%.
Mesmo não acreditando em um novo aumento dos combustíveis muito elevado até o final do ano, como vem sendo cogitado por analistas, Heron do Carmo disse que um aumento de 50% na gasolina faria com que a inflação acumulada de 1999 passasse de 6% para 7,5%. Se o álcool fosse reajustado nessa mesma proporção, a inflação do ano seria de 8,5%. "É melhor que o governo faça um ajuste gradual da gasolina, porque o preço do petróleo pode cair no mercado internacional", disse Heron, explicando que não acredita na justificativa de que uma alta dos combustíveis seria feita em função da conta petróleo. "Seria o mesmo que jogar agente laranja para acabar com uma praga. Não tem cabimento", afirmou.
Governo tem uma meta a ser atingida com a conta petróleo que, segundo Heron, ficou comprometida pela desvalorização do real e pela elevação do barril do petróleo no mercado internacional. De acordo com o coordenador do IPC, a inflação no mês de julho deve ficar conforme o projetado, ou seja, em 1%. Isso porque os alimentos estão com o preço em queda desde a primeira quadrissemana do mês passado.
A alta de produtos agrícolas no atacado, já registrada pelo IGP, medido pela Fundação Getúlio Vargas, não deve se repetir com a mesma intensidade pelo varejo. Segundo Heron, algum reflexo deve ocorrer, mas pequeno, em função da demanda reprimida do mercado. Para o mês de agosto, a Fipe mantém sua projeção de inflação de 0,5%, que virá das tarifas públicas, notadamente do reajuste da energia elétrica e água e esgoto. No próximo mês, os combustíveis já devem ter seus preços estabilizados ou até mesmo apresentar uma leve queda. Segundo Heron, o item alimentos vai contribuir muito para definição do IPC de agosto, já que é esperada uma estabilização ou mesmo uma pequena alta dos preços. Uma alta de até 1 ponto percentual poderia ser compensada com a queda dos preços do item vestuário, já que as liquidações de julho trarão uma deflação desses preços em agosto.
O coordenador do IPC afirmou que tarifas e combustíveis contribuíram em até 60% para a composição da inflação até junho, quando houve um índice acumulado de 2,51%. Se a previsão de inflação de 1% para este mês for cumprida, a inflação acumulada pulará pa ra 3,53%. Mesmo com algumas reticências, Heron previu inflação de 0,35% para o mês de setembro, que virá, basicamente, do aumento das tarifas.


