São Paulo, 24 (AE) - O aumento do roubo de cargas está dificultando a contratação de seguros por parte das empresas de transporte e encarecendo o custo das transportadoras. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (Setcesp), Romeu Natal Panzan, há cinco anos o gasto das empresas com segurança era de 2% a 3% do faturamento total da transportadoras e hoje chega a até 12%. Essas e outras questões relativas ao crime organizado estão sendo debatidas hoje no 10º Fórum Paulista do Transporte, realizado pelo Setcesp.
Segundo Panzan, hoje apenas seis das 130 seguradoras existentes no País aceitam fazer seguros de carga e, ainda assim
impõem exigências bastante pesadas para fechar o negócio. Entre essas exigências estão a contratação de escoltas e a instalação de equipamentos de rastreamento por satélite. Além disso, acrescenta ele, as seguradoras se recusam a fazer seguros de mercadorias como cigarros, insumos agrícolas e medicamentos, cargas altamente visadas pelas quadrilhas de roubo de cargas.
Dados da Setcesp mostram que a maior parte dos sinistros acontecem nas áreas urbanas (65%) contra 30% de ocorrências em rodovias. Nas regiões urbanas, os roubos são feitos durante o dia e ocorrem principalmente em semáforos ou durante a entrega ou coleta de mercadorias. Nas estradas, os roubos são praticados preferencialmente à noite e, em 75% dos casos, em áreas de postos de combustíveis. Segundo Panzan, cresce o número de quadrilhas especilizadas em roubos a depósitos de transportadoras e distribuidoras. Este ano, disse ele, 46 empresas paulistas foram roubadas.
O setor de transportes é formado por 12 mil empresas, 350 mil autônomos e tem faturamento anual de US$ 24 bilhões, segundo dados de 98 do Setcesp. O roubo de cargas está concentrado na região Sudeste, onde ocorrem 85,81% dos sinistros
dos quais 61% acontecem em São Paulo e 20% no Rio de Janeiro. Entre as propostas dos empresários do setor, está a criação de uma ligislação específica para os delitos de carga. Segundo o presidente da Setcesp, os transportadores querem a apovação do Projeto de Lei Complementar nº187/97, em tramitação no Congresso
que cria o Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão a Roubos e Furtos de Veículos e Cargas. Eles reivindicam também a intensificação dos acordos bilaterais entre Paraguai e Bolívia para devolução de veículos e cargas roubados.

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