Nova York, 08 (AE-DOW JONES) - A expressiva recuperação dos preços do petróleo observada nas últimas semanas pode ter um impacto significativo nas economias dos produtores de petróleo da América Latina, trazendo grande alívio para as contas dos países, aponta o banco de investimentos Goldman Sachs, dos Estados Unidos.
"Se tal alta sustentar-se, trará benefícios em particular para os países com fundamentos econômicos fracos, como Venezuela e Equador, altamente dependentes das exportações de petróleo para financiar seus gastos públicos", avalia o economista Federico Kaune.
De 1º de março a 5 de abril, os preços do petróleo WTI recuperaram-se em 38,5%, para US$ 16,95 o barril, ante US$ 12,10 em 31 dezembro de 1998. Os preços do petróleo dos tipos produzidos no México, na Venezuela, Colômbia e no Equador têm acompanhado tal recuperação.
No caso do México, Kaune estima que para cada elevação de US$ 1,00 na média anual do preço do petróleo o país teria um aumento na receita fiscal de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as exportações seriam incrementadas em US$ 600 milhões. O preço do petróleo cru mexicano alcançou a cotação de US$ 12,50 o barril no dia 5. O orçamento deste ano foi elaborado assumindo um preço médio de US$ 9,25 o barril.
"As autoridades têm reafirmado o compromisso com uma política fiscal conservadora este ano, expressando a intenção de saldar a dívida com qualquer ganho extra com o petróleo", diz o analista.
No caso da Venezuela, a Goldman Sachs projeta um ganho na receita fiscal de 0,8% do PIB e de US$ 1,0 bilhão nas exportações para cada aumento de US$ 1,00 na média anual de preço. O petróleo venezuelano alcançou a cotação de US$ 13,4 o barril na segunda-feira (média de US$ 9,50 até agora em 1999).
O orçamento revisado da Venezuela assume um preço médio de US$ 9,00 o barril, ante a estimativa anterior de US$ 11,5. A recuperação dos preços do petróleo poderá ser o primeiro teste para o recém-reformulado fundo de estabilização macroeconômica do país.
"O risco é de que a melhora proporcionada pela alta do petróleo pode adiar uma necessária reestruturação do setor público", avalia Kaune.
Em relação à Colômbia, calcula-se que para cada aumento de US$ 1,00 na média anual de preço, a receita fiscal será incrementada em 0,1% do PIB e as exportações, em US$ 200 milhões. O preço do petróleo colombiano alcançou US$ 15,75 o barril no dia 5 de abril. O orçamento de 1999 prevê uma média de preço de US$ 11 8.
Finalmente, quanto ao Equador, as estimativas são que para cada aumento de US$ 1,00 na média anual de preço a receita fiscal será elevada em 0,4% do PIB e as exportações em US$ 50 milhões. Em 30 de março, o preço do petróleo equatoriano alcançou US$ 12,6 o barril. O orçamento de 1999 prevê um preço médio de US$ 9,0.
Uma recuperação sustentada nos preços do petróleo do Equador trará grande alívio para uma situação fiscal de extrema dificuldade. Além disso, provavelmente será determinante para a capacidade do país de cumprir com o pagamento de sua dívida externa este ano. "Principalmente se as negociações com o FMI - que poderá prover o país com os recursos externos necessários - forem adiadas", diz o analista.

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