Aumento do pedágio mobiliza entidades e caminhoneiros
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de dezembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Os transportadores de cargas ameaçam entrar com ações judiciais contra o Estado por causa do aumento do pedágio em cerca de 20,48% para caminhões. Eles não descartam a paralisação dos caminhoneiros nas rodovias nos próximos dias como forma de protesto. Estamos indignados com este reajuste proposto pelo Estado. É difícil concordar com estas mazelas governamentais, reclamou Valmor Weiss, presidente da Federação das Empresas Transportadoras de Cargas do Paraná (Fetranspar).
De acordo com ele, foram programadas reuniões para esta semana com empresas transportadoras e deputados estaduais para discutir o assunto. Vamos entrar com ações judiciais e as paralisações não estão descartadas. Vamos usar todas as nossas armas para impedir a continuidade desta situação, acrescentou. Weiss comparou o aumento do pedágio para caminhões com a inflação durante o período, que não chegou a 6%. Eles estão pensando que somos bobos, que não sabemos fazer contas, afirmou.
Ontem, na Praça de Pedágio da Ecovia empresa concessionária do trecho da BR-277 que liga Curitiba ao litoral paranaense, com 136,7 quilômetros de extensão motoristas de caminhões e veículos leves protestavam. O caminhoneiro Jorge da Rosa, 44 anos, não sabia do aumento da tarifa do pedágio. Ele foi pagar o pedágio e teve a desagradável surpresa. De R$ 14,40, a tarifa subiu para R$ 17,60. Foi uma surpresa. Faltou dinheiro para pagar o pedágio. Desta forma fica ruim de trabalhar, disse o caminhoneiro, que veio de São Paulo em direção a Paranaguá, onde iria carregar adubo. Este aumento está prejudicando o preço do frete, tudo acaba sendo repassado, disse ele.
Os motoristas de veículos leves, que tiveram reajuste médio de 16,46%, também reclamaram. Para ir e voltar do litoral paranaense, o motorista tem que desembolsar R$ 10,40. O encarregado de almoxarifado, Edenilson Furquim Camargo, 41 anos, disse que o valor da tarifa é absurdo. Não entendo porque pagar tanto para trafegar numa via que deveria ser pública. Isto é um absurdo, afirmou indignado.
O motorista Amarildo da Silva, 38 anos, viaja o Estado inteiro. Só para o litoral, ele vai entre uma e duas vezes por semana. Para que pagar uma tarifa tão alta para manter uma roçada. É isto apenas o que as concessionárias estão fazendo, argumentou Silva. De acordo com ele, as rodovias estão deficientes. Faltam telefones públicos e o atendimento ao usuário é lento. Um dia eu tive que chamar um guincho e fiquei esperando cinco horas. O atendimento ao usuário é terrível, salientou.
Na Ecovia, estão sendo distribuídos panfletos com orientações sobre o preço da tarifa do pedágio e as obras que estão sendo feitas de benfeitoria da rodovia. Entre as obras elencadas estão a trincheira da Avenida Rio Barbosa, em São José dos Pinhais, e o alargamento da pista no quilômetro 84, na altura do Jardim das Américas, em Curitiba. Foram confeccionados entre 20 mil e 30 mil panfletos.


