Aumento do nível do mar afetará 25% da população
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Amanda Rossi<br>Agência Estado 
São Paulo- Elevação de meio metro no nível do mar ao longo do século XXI, resultante do aquecimento global, afetará cerca de 42 milhões de brasileiros (25% da população) que vivem em cidades litorâneas, sendo a cidade do Rio de Janeiro uma das mais vulneráveis, e acabará com aproximadamente cem metros de praia no Norte e Nordeste do País. Não se trata de adaptação tupiniquim de ficção de Hollywood, mas de resultado de um dos oito estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas no Brasil promovidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e apresentados ontem em Brasília.
Intitulado ''Mudanças Climáticas e seus Efeitos sobre a Biodiversidade Brasileira'' e realizado por dois institutos de meteorologia reconhecidos no Brasil, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sob a coordenação do professor José Marengo, o estudo analisa o comportamento da água e da temperatura do ar ao longo do século passado e faz projeções sobre como será o clima brasileiro em 2100. Foram considerados dois cenários extremos: o ''totalmente pessimista'', no qual nada será feito para impedir o avanço do aquecimento global, e o ''absolutamente otimista'', onde tudo será feito para enfrentar as mudanças climáticas.
Segundo o estudo, a temperatura média brasileira aumentou aproximadamente 0,75º C no século XX, atingindo cerca de 25º C. Em 2100, essa média pode subir 4º C, atingindo um acréscimo de 8º C na região Amazônica. Os chamados ''eventos extremos'', como chuvas de intensidade acima da habitual, furacões, noites mais quentes, redução na quantidade de dias frios e ondas de calor devem acontecer com frequência muito maior, seguindo um padrão já verificado no século XX.
O estudo ainda aponta uma ''tendência de extensão da deficiência hídrica (estiagem) por praticamente todo o ano no Nordeste, apontando para maior ''aridização'' da região semi-árida até final do século XXI''. Alerta para que ''no pior cenário a Amazônia pode virar Cerrado até final do século XXI devido ao aumento na concentração de gases de efeito estufa'', previsão já presente em relatório apresentado pelo Greenpeace no final de janeiro.
O estudo aponta aumento de doenças como malária, dengue, febre amarela e encefalite, queda na produtividade agrária.


