Aumento do gás não afeta construção de usinas, garante ministro
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 9 (AE) - O governo federal está analisando formas de contornar os efeitos negativos dos aumentos do preço do gás natural no programa de construção de usinas termelétricas no País. "O projeto das termelétricas já é uma realidade, não será afetado em nenhuma hipótese e não sofrerá qualquer tipo de interrupção", garantiu o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho,. "Este programa reflete uma necessidade do País, seja para aumento de geração seja para melhorar a qualidade da energia gerada."
O assunto é tratado como prioridade dentro do Ministério de Minas e Energia. Hoje, técnicos do ministério e da Petrobrás se reuniram para discutir alternativas para o setor de gás. Ainda não se chegou a uma solução definitiva. "A partir de hoje começa a se tratar as regras finais para resolver este assunto"
disse Tourinho.
Nos próximos dias, o ministério pretende se reunir para discutir as alternativas propostas com a associação Brasileira da Indústria de Base (Abdib) e com outros segmentos empresariais. Para evitar que o preço do gás natural continue variando de acordo com as oscilações do petróleo no mercado internacional, o ministério deve concluir até setembro uma nova forma de reajuste do insumo.
Estuda-se, por exemplo, uma relação entre o preço do gás natural produzido no País e o custo do importado da Bolívia. Nesta nova política de preço para o gás existe ainda a possibilidade de haver descontos maiores para o produto.
O programa de geração térmica a gás foi colocado em xeque na semana passada pela decisão da Petrobrás de aumentar em 40% no preço do gás natural nos próximos dois meses (28,78% em agosto e 11,22% em setembro). A alta acumulada com o novo aumento chega a 74% este ano.
Segundo empresários do setor, os projetos poderão ser interrompidos pelo aumento de custos. O reajuste no preço do gás deve-se às mudanças nos preços dos derivados do petróleo anunciadas na semana passada. O valor do gás está ainda atrelado ao óleo combustível. Só com uma nova política de preço do gás natural, o governo acredita ser possível manter o programa de construção das novas usinas termelétricas.
Esta semana o ministério comemorou a realização de acordos suficientes para viabilizar a construção de 15 usinas térmicas a gás em todo País, capazes de gerar 8.576 megawatts. Estas usinas, que podem ficar prontas a partir do próximo ano, representam 80% da capacidade média de geração de energia de uma usina como Itaipu, a maior do País.
O governo aposta na geração termelétrica a gás para reduzir a vulnerabilidade energética brasileira e evitar o colapso no suprimento de energia nos próximos anos. A taxa de crescimento do consumo de energia nos últimos anos é maior do que o incremento da atividade econômica. Em 1997 o consumo cresceu 6,5% e no ano passado 4,3%. O governo estima que nos próximos 10 anos o crescimento médio do consumo será de 4,7% ao ano.
Blecaute - Desde o blecaute que apagou mais da metade do País em 11 de março, Tourinho está se empenhando em tornar viável o uso do gás natural para abastecer as usinas termelétricas a gás em todo o País. Em maio, por exemplo, foi publicada resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que permitia às usinas térmicas repassar para as tarifas as variações bruscas e imprevisíveis no preço do gás importado e no custo dos equipamentos.
Foi uma garantia para que as usinas pudessem firmar contratos de compra de energia obter financiamento junto ao sistema financeiro. Existem pelo menos dez projetos considerados de emergência pelo governo.
Para o abastecimento do Rio de Janeiro, o ministério aposta na implantação das usinas Norte Fluminense (em dezembro de 2001), Duque de Caxias (novembro de 2001) e Cachoeira Dourada.(janeiro de 2000).
Em São Paulo, estão programadas as usinas de Paulínea (junho de 2001), Santa Branca (dezembro de 2002) e Cubatão (novembro de 2001). Da mesma forma, já foram assinados em junho os protocolos para implantação de usinas na Bahia (dezembro de 2001), Pernambuco (dezembro de 2002), Rio Grande do Norte (dezembro de 2002) e em Pecém, no Ceará (julho de 2001).


