Aumento de preço de resinas não se justifica, diz empresário
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 27 (AE) - O aumento anunciado da nafta, em torno de 10% em janeiro, e, por consequência, das resinas termoplásticas, está agitando o mercado de transformação. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio Grande do Sul, César Rangel Codorniz, as indústrias de resinas termoplásticas não têm justificativa para aumentar novamente os preços. "No início, nos bastidores da indústria, falavam em 15%. Depois recuaram e passaram a 8% e 10%. Não existe explicação para esse aumento. Ele é inoportuno"
afirma.
De 1º de fevereiro até o próximo mês, calcula ele, a nafta foi reajustada no mercado interno em 132%, enquanto o preço das resinas subiu entre 100% e 110% - no mesmo período em que a inflação é estimada em 8,5%. Em janeiro, o preço médio da tonelada das resinas no Brasil vai para US$ 1.200. Representantes das indústrias de resinas foram procurados, mas não deram declarações sobre o assunto.
Para tentar controlar os aumentos de preços das resinas, os transformadores apelaram à Secretaria de Acompanhamento Econômico(SEAE) do Ministério da Fazenda pedindo intervenção, mas de nada adiantou. Na verdade, o que esses empresários querem é o direito de importar a matéria-prima com a taxa de importação reduzida de 17% para zero.
"Embora nossa preferência seja pela compra no mercado interno, a partir de janeiro vamos importar de quem oferecer melhores preços: sudeste da ásia, Golfo do México e Estados Unidos", antecipa César Codorniz. Ao mesmo tempo, há traders brasileiros que nunca trouxeram resinas do exterior e agora negociam contratos de importação de resinas com países como a Venezuela, para compra a partir de janeiro. E garantem que colocam o material importado a um preço mais baixo do que o cobrado no Brasil.
Outro ingrediente que anima os transformadores é a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Marcada para março, ela deverá reavaliar as cotas de venda do petróleo. "Nossa previsão é de que a oferta aumente, por causa do fim do inverno no hemisfério norte, e os preços baixem em todo o mundo, obrigando a revisão de preços pela indústria brasileira", avalia o presidente do sindicato gaúcho.


