Aumento de pedágio sobrecarrega rodovia
Marcos Zanatta
O reajuste na tarifa do pedágio, que deve ser confirmado nos próximos dias, já preocupa os moradores de cidades cortadas pela PR-317, na região de Maringá. A rodovia é utilizada como rota de fuga de pedágios. Mesmo com a redução dos valores, no final do ano passado, não diminuiu o número de veículos que desviam das estradas pedagiadas e acabam passando dentro de cidades pequenas, que não estão preparadas para o grande fluxo de veículos, principalmente de carretas e caminhões.
A PR-317 é a principal rota de fuga dos pedágios do lote 2 do Anel de Integração, e talvez em todo o Estado. Por aqui passam todos os motoristas que desviam dos pedágios de Presidente Castelo Branco, de Mandaguari e de Arapongas, confessa um policial rodoviário, que pediu para não ser identificado.
Quem vai de Maringá a Nova Esperança e não quer passar pelo pedágio de Presidente Castelo Branco, pega a PR-218 a partir de Iguaraçu. O trajeto, de 70 quilômetros, é o dobro do caminho para quem opta pela BR-376, passando pela praça de pedágio. A mesma rodovia, passando pelo trevo de Iguaraçu, dá acesso a Arapongas. O motorista que desvia também da praça de pedágio de Arapongas segue pela PR-218 até Astorga, entra na cidade e pega a PR-454, até Jaguapitã, e depois a PR-170, até Rolândia. O trajeto fica cerca de 30 quilômetros mais longo.
Quem não aprova o desvio são os moradores das cidades cortadas pelas rodovias ou os usuários das estradas sem pedágio. No final do ano passado, a denúncia de um empresário de Lobato e uma ação na Justiça por causa de um acidente obrigaram o DER a recuperar as estradas sem pedágio na região de Paranacity.
Eles taparam os buracos, mas vamos continuar com a ação, promete a advogada Ângela Resina Ferreira Aparicio. Ela defende o dono de uma funerária de Paranacity, que sofreu um acidente na PR-464 por causa de buracos na pista, e teve o veículo da empresa destruído.
A ação contra o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) cobra a indenização por perdas e danos e pelo lucro cessante. O veículo era utilizado pela empresa e o meu cliente foi obrigado a locar um outro, revela Ângela. Outra reclamação do estado de conservação das rodovias da região partiu do empresário Agenor Stuani, que tem um laticínio em Lobato (60 km ao norte de Maringá).
Em dezembro, ele relatou à Folha que estava acumulando prejuízos por causa do excesso de buracos na PR-218, onde passam diariamente 150 caminhões que transportam produtos para o laticínio. O trecho foi recuperado, mas demonstra não suportar o tráfego pesado.
Mas as áreas urbanas são as mais prejudicadas com o desvio. Moradores de Iguaraçu (34 km ao norte de Maringá) reclamam que o trânsito pesado na área central da cidade cresceu pelo menos 50% desde o início da cobrança do pedágio. No final da tarde, o número de caminhões que passam por aqui é muito grande, reclama a comerciante Ana Paula Costa. Ela diz que o número de caminhões pesados assusta, apesar de não ocorrerem acidentes.
A maior preocupação, no entanto, é com os mais de 100 alunos do Colégio Estadual Cyro Pereira de Camargo. A escola fica ao lado do trecho urbano da rodovia, no sentido Maringá-Astorga, e a maior parte dos estudantes é obrigada a atravessar o contorno para chegar à escola.
O comerciante Antonio Tomitão, que tem uma lanchonete no centro de Iguaraçu, reclama do barulho que os caminhões fazem ao passar. Ele explica que as carretas, principalmente de areia que tem carroceria de ferro, passam no centro vazias. Quando atravessam o quebra-molas em frente à loja, é um barulho que incomoda, diz. Ele conta também que os caminhões voltam carregados e passam pelo contorno. O peso tem prejudicado a pavimentação, lamenta.
Outra cidade que enfrenta problemas com o trânsito de veículos pesados, que desviam do pedágio, é Ângulo (32 km ao norte de Maringá). Em alguns trechos, o asfalto desapareceu do perímetro urbano. A prefeitura sem dinheiro tenta remediar a situação jogando pedra nos buracos. Não adianta nada porque os caminhões passam com muito peso, acha até que com mais peso do que deveriam, diz a costureira Amélia Diniz, que mora em frente a um trecho danificado. Isso aqui é uma poeira só quando não chove, reclama.
A Polícia Rodoviária calcula que o movimento no trecho de desvio passando pela PR-317 aumentou em pelo menos 30%. Mesmo com a redução do valor a maior parte dos caminhões continuam passando por aqui, diz o sargento Franciso Alencar da Silva, comandante do posto da PR no trevo de Iguaraçu. Ele garante no entanto que o tráfego maior de caminhões não tem prejudicado o trecho entre Maringá e Iguaraçu, que foi recuperado há cerca de dois anos. As outras estradas, para Nova Esperança ou Astorga e Arapongas, são as mais prejudicadas porque não foram projetadas para o tráfego intenso, afirma.
O chefe do escritório regional do DER em Maringá, Heitor Dutra da Silva Filho, acha que desviar das rodovias pedagiadas não compensa. Passar dentro de cidades e usar rodovias com menos estrutura não apresenta vantagens, acha. Ele diz que não tem dados precisos sobre o aumento do fluxo na PR-317, mas garante que alguns trechos suportam o trânsito mais intenso. O problema, segundo Dutra, é que o grande trafego de caminhões prejudica a pavimentação.Cada vez mais, motoristas utilizam a PR-317, na região de Maringá, para evitar o pagamento de tarifas cobradas no Anel de Integração
Fotos: James NegriniTrânsito pesadoVeículos pesados cruzam a área central de Iguaraçu e causam transtornos: moradores reclamamDesgasteNa área urbana de Ângulo, o asfalto quase não suporta o peso dos caminhões carregados de areiaAdvertênciaNa entrada de Iguaraçu, uma placa pede aos motoristas para que tenham cuidado com as crianças





