Aumento de 6% para o mínimo não garante poder de compra futura
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 18 (AE) - A proposta de um aumento de 6% no salário mínimo em maio, elevando seu valor para R$ 137,80, é insuficiente, porque não garante o poder de compra do salário no futuro, até um novo reajuste. A avaliação é do economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), José Maurício Soares. Ele prevê um índice de inflação superior a 6% entre maio deste ano e maio de 1999.
De maio de 1998 até o último mês de fevereiro, a inflação acumulada soma 2,05%. Prevendo um índice de 1,5% para março e 1,2% para abril, o acumulado nos últimos 12 meses até maio deste ano seria 4,41%. Assim, um reajuste de 6% seria suficiente para cobrir as perdas passadas.
Até agora, no entanto, a política de reajuste do mínimo visava assegurar o poder de compra do salário, voltada, portanto
para a inflação futura, não a passada. "O governo dizia que a correção era voltada para o futuro. Só falta, agora, o governo querer mudar essa orientação", disse Soares.
Hoje, o ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, negou a existência de estudos para um reajuste de 6% do mínimo. A informação foi dada por parlamentares do PSDB no Congresso, após integrantes do governo terem admitido que não haveria reajuste do mínimo.
Em seu programa de candidato, o presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu dobrar o valor do mínimo nos quatro anos de seu mandato, o que forçou a equipe econômica a reajustar o mínimo em 8,3% em maio de 1998. O salário chegou a R$ 130. No programa para o segundo mandato, não há promessa para o salário-mínimo.


