Aumento da inflação em julho não deve refletir sobre os outros meses, diz chefe do Depec
Brasília, 13 (AE) - O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, disse em entrevista concedida à Agência Estado que o aumento da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPC-A) em julho não deverá ter maior reflexo sobre os outros meses do ano. "Isso foi um mês específico. Não haverá transmissão dessa alta para os outros meses. A tendência é que as coisas se normalizem agora", disse.
Diante disso, ele afirmou ter certeza de que a meta de que a inflação medida pela IPC-A feche este ano em 8% será alcançada. "A meta vai ser alcançada sem grandes problemas", afirmou. O chefe do Depec chegou a dizer que seria correto pensar que há mais espaço para novas reduções dos juros quando se leva em conta apenas a inflação. "Mas, nós não levamos em conta só a questão da inflação para decidirmos sobre juros. Vemos outras questões, como o cenário externo e a área fiscal", afirmou.
Apesar das boas condições de financiamento do balanço de pagamentos, o chefe do Depec disse que questões como uma possível elevação dos juros norte-americano e a existência de problemas em parceiros econômicos do Brasil no Mercado Comum do Sul (Mercosul) exigem cautela do BC no momento de fixar a taxa de juros. "Temos que ver tudo isso", comentou. O desempenho fiscal do setor público, segundo Lopes, é outro problema visto com cuidado pelo BC. "Não é um problema preocupante, mas temos que olhar essa questão a todo instante", disse.
Ele lembrou que o governo sempre tem alternativas no caso de frustação de receitas provocadas por uma decisão judicial que suspenda a cobrança de algum tributo federal ou mesmo com a não realização de votações de assuntos estratégicos para a obtenção de um efetivo ajuste fiscal no âmbito do Congresso Nacional. "Sempre há alternativas", afirmou. Comentanto o bom desempenho das receitas federais em julho, o chefe do Depec disse que a arrecadação de R$ 13,7 bilhões no mês passado em muito ajudará o Brasil a cumprir a meta de superávit primário do setor público de R$ 23,788 bilhões estabelecida no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o terceiro trimestre do ano. "Mas, isto por si só não será suficiente para garantir o cumprimento da meta. Dependemos ainda do comportamento fiscal de estados e municípios", ressaltou.





