Aumento da Aids preocupa comunidade internacional
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quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Jamil Chade<bR>Agência Estado<br> De Genebra 
A UNAIDS (agência das Nações Unidas de combate à Aids) anunciou ontem que nunca o número de pessoas no mundo contaminadas pelo vírus HIV foi tão grande como atualmente. Segundo a agência, 40 milhões de pessoas estão infectadas pela Aids e, apenas em 2001, 3 milhões irão morrer devido à doença.
O que mais preocupa os cientistas, porém, é que o número de casos está aumentando a cada ano em todas as regiões do mundo, mesmo com todos os esforços internacionais para conscientizar as populações. ''Em 2001, 5 milhões de pessoas serão contaminadas pela Aids'', afirma Peter Ghys, epidemiologista da UNAIDS.
Em 2001, o maior índice de contaminação ocorreu no Leste Europeu, com cerca de 250 mil novos casos de Aids, a maioria no uso de seringas contaminadas. Na Rússia, por exemplo, enquanto foram registrados 55 mil casos em 2000, o ano de 2001 deverá apontar 75 mil novas contaminações.
A situação na África está pior do que nunca. O continente possui mais da metade de todos os infectados pela Aids no mundo - 28,1 milhões de pessoas - e em 2001 outras 3,4 milhões de pessoas se tornarão portadoras do vírus. ''Em países como Botsuana, 30% das mulheres grávidas são soropositivas'', afirma Winnie Mpanju-Shumbusho, diretora do departamento de Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo ela, as consequências econômicas da Aids no continente africano são significativas: o PIB da região deverá cair em 20% até 2020 se os níveis da doença forem mantidos como os atuais.
Mas a UNAIDS alerta que o aumento do número de casos de Aids no mundo não ocorre apenas nos países pobres. De fato, um dos dados que mais preocupa os cientistas é que nos países desenvolvidos, tanto os europeus como os Estados Unidos, o número de pessoas contaminadas pelo vírus HIV volta a crescer.
Um dos motivos para a retomada da Aids é a diminuição do número de campanhas de combate à doença. ''A geração de jovens da segunda metade dos anos 90 cresceu com a idéia de que estavam isentos do problema, o que incentivou comportamentos sexuais de alto risco'', afirma Ghys.
No Brasil, os número de pessoas contaminadas deverá chegar a 600 mil no final de 2001, praticamente 40% de toda a população latino-americana afetada pelo vírus. Segundo a UNAIDS, cerca de 60 mil pessoas foram contaminadas no Brasil entre 1999 e 2001.
Mesmo com o aumento dos casos do País, tanto a UNAIDS como a OMS apontam avanços no Brasil. Dados das agências internacionais ressaltam que o número de contaminações pelo uso de drogas injetáveis caiu significativamente nas metrópoles brasileiras.


