Belém, 18 (AE) - A Agência Nacional de Petróleo (ANP) está investigando o reajuste praticado pela Texaco no preço do litro do álcool em Belém (PA). Para a ANP, o reajuste foi "abusivo". Nos últimos 20 anos, esta foi a primeira vez, no Estado, que o preço do álcool superou o da gasolina.
Entre os dias 9 e 11 deste mês, o litro pulou do preço médio de R$ 0,642, praticado na maioria dos postos de combustíveis da cidade, para R$ 1,03, representando um reajuste de quase 60%. O aumento foi seguido pelas distribuidoras concorrentes da Texaco, que também resolveram reajustar seus preços.
Os cerca de 160 mil proprietários de veículos de Belém reagiram com indignação, denunciando o aumento ao Procon e Ministério Público.
Pressionada, a direção da Texaco recuou, voltando a praticar os preços antigos. O fiscal da ANP, Rubens Vicente da Silva Filho, informou que vai entregar seu relatório ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, que irá analisar o resultado da investigação e dar o veredito.
Ele disse que no caso de o abuso ficar comprovado, as distribuidoras responderão a processo administrativo e pagarão "multas elevadas, no mesmo valor dos preços astronômicos que estariam praticando".
O diretor da Texaco no Pará, José Ferreira Amin, admitiu que a distribuidora foi precipitada ao repassar para os postos de combustíveis o índice no corte do subsídio de 65% sofrido pelo setor sucroalcooleiro. Mas tentou minimizar o impacto do reajuste sobre os consumidores, acrescentando que o tumulto "já foi superado".

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