Curitiba - Embora o ensino integral esteja crescendo no País, a grande preocupação de especialistas no assunto é garantir que a ampliação da jornada escolar não se restrinja à ampliação do tempo dentro das escolas, mas que garanta um salto na qualidade de aprendizado escolar.
''Aumentar o tempo na escola é fundamental, mas é preciso estar agregado a um projeto de educação integral. Até porque se você só aumentar o tempo em uma escola com ensino ruim, vai significar mais tempo do que é ruim'', adverte a coordenadora do Programa de Educação do Unicef Brasil, Maria de Salete Silva.
Ela explica que a principal característica da educação integral é tratar da integralidade da criança, o que significa não se preocupar apenas com o currículo escolar, mas enriquecer essse conteúdo com atividades diferenciadas, que levam em conta a história de vida do aluno.
Segundo Maria de Salete, o tema é o foco do Prêmio Itaú-Unicef, que vai escolher iniciativas bem-sucedidas de organizações sociais no campo da educação integral em todo País. O objetivo é enriquecer o debate com a divulgação de bons exemplos que já existem no País.
Um desses exemplos, classificado no prêmio em 2009, vem do Centro de Atendimento Especial à Criança e ao Adolescente de Paranavaí (Cecap), organização não governamental (ong) que atende no contraturno 259 alunos de 11 escolas estaduais e municipais com oficinas musicais, artísticas e esportivas. Entre as escolas, a ong mantém parceria com a Escola Municipal Getúlio Vargas, na qual atende e acompanha os resultados de sua atuação com 110 crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
A diretora do Cecap, Liria Inês Balestieri, conta que a parceria garante entrosamento total com a escola. ''São feitas reuniões conjuntas com a escola, acompanha-se a frequência, o aprendizado, são feitas atividades com os pais. A escola sabe o que fazemos e nós também. E nossas crianças fazem a diferença na escola, a nível de comportamento, aprendizagem, de participação'', diz. O resultado, segundo ela, é comprovado pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), aferido pelo MEC, que saltou de 4.0 em 2007 para 5.2 em 2009, equiparando-se às escolas da Região Central do município.(M.G.)

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