Aumentam os pagamentos com cartões de crédito no varejo de SP
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Denise Carvalho 
São Paulo, 8 (AE) - Aumentou a participação dos cartões de crédito nos pagamentos realizados no comércio varejista de São Paulo desde abril de 99, enquanto que, no mesmo período, pouco mudou a participação dos pagamentos à vista na composição de vendas. Das vendas feitas no varejo de São Paulo em agosto, os cartões de crédito foram utilizados em 18,2% dos pagamentos realizados no mês passado, contra 17,3% em abril e 16% em agosto de 1998. As vendas à vista alcançaram 44,1% da participação dos pagamentos, ante o percentual de 44,2% em abril.
Os dados são da pesquisa Composição de Vendas e Inadimplência (CVI), divulgada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), em parceria com a AGÊNCIA ESTADO.
A inadimplência, percebida pelos comerciantes paulistas em relação ao seu faturamento, apresentou uma pequena redução. Dos empresários entrevistados, 4,6% disseram que 10% ou mais do seu faturamento estão comprometidos com a inadimplência, que atingiu as taxas de 7,7%, em abril, e de 9,4% em agosto do ano passado.
Segundo o economista da FCESP, Fábio Pina, este é um sinal positivo que, apesar de pequeno, pode possibilitar uma aceleração nas vendas a prazo. Ele afirma que mais da metade das vendas realizadas no comércio ainda depende de algum tipo de crediário ou instrumento de crédito. "Enquanto persistir a insegurança, o aumento do desemprego e alta taxa de juros, o crédiário será ainda pouco utilizado", avaliou Pina.
Os cheques pré-datados foram menos utilizados no comércio. De abril até o mês passado, essa forma de pagamento tinha 32,9% de participação na composição das vendas, quando no mesmo mês de 1998, 35,8% dos pagamentos eram feitos com cheques pré.
As dificuldades econômicas enfrentadas pelo País, explica Pina, reduzem a capacidade de pagamento, diminuem o orçamento da população e aumentam o medo do consumidor de perder o emprego, que fazem com que os consumidores evitem o crediário, enquanto os empresários, para se protegerem da inadimplência, tornam-se mais conservadores nas vendas à prazo.
Conjuntura - O atual quadro político-econômico do Brasil
segundo o economista, ainda interfere na opinião dos comerciantes sobre a possibilidade de mudança na composição das vendas. Apenas 34,4% dos empresários acreditam que haverá mudanças nos próximos meses, sendo que mais da metade (56,9%) não acredita nesta hipótese.
Os comerciantes do setor de bens semiduráveis e duráveis são mais pessimistas, pois 64,8% e 59,2%, respectivamente, não apostam em mudanças. Pina diz que estes setores são os mais afetados pela instabilidade econômica, por isso, o pessimismo.
Já os empresários do segmento de materiais de construção estão divididos; 45% esperam mudanças, enquanto 50% confiam que a composição de vendas será semelhante à atual. Quanto à capacidade das empresas de honrar seus compromissos, mais da metade dos comerciantes (53,5%) dizem ter dificuldades para quitar as dívidas.
O setor automotivo, segundo a pesquisa FCESP-AE, é o que tem encontrado mais obstáculos para saldar débitos: 72,3% dos empresários afirmaram ter estes problemas. Pina informou que algumas empresas que precisam de capital de giro para suas operações não conseguem crédito em bancos, por causa das exigências para os empréstimos.
Segundo ele, cerca de 17% das empresas já têm algum tipo de conta em atraso, relacionadas com os custos administrativos e fixos como aluguel, luz, telefone, água e, em menor escala, pagamento de salários.


