Aumentam doenças da tireóide
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sexta-feira, 16 de junho de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O número recorde de médicos que participa da 12 edição do Encontro Brasileiro de Tireóide em Curitiba não é mero acaso. A opinião é da presidente do evento, Gisah Amaral de Carvalho, professora do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo ela, a procura pela ''especialidade'' médica coincide com o aumento do número de pacientes com ''doenças da tireóide'' no País. ''Nós não temos números para apresentar, mas já constatamos que a doença está ocorrendo de forma progressiva'', revela.
Entre as doenças causadas pela alteração na quantidade de hormônios da tireóide, glândula localizada na base do pescoço, está o hipotireodismo (nível baixo de hormônio). Conforme explicou a professora, no Brasil, o hipotireodismo atinge entre 10% a 12% das mulheres que entram na menopausa. No País, a doença atinge cerca de 5% das pessoas. Já o hipertireodismo (nível alto de hormônio) ocorre com menos frequência, atingindo apenas cerca de 1% da população. A glândula produz, armazena e libera hormônios tireoidianos na corrente sanguínea.
A jornalista Adélia Maria Lopes, de 55 anos, descobriu que estava com hipertireodismo no final do mês de abril. ''Não sentia nada, nenhuma dor. Só fui procurar um especialista depois que eu não conseguia mais usar o meu colar. Ele não servia porque meu pescoço estava inchado. Apesar de ter engordado um pouco, porque eu tinha parado de fumar, achei estranho'', conta. Maria se diz surpresa também com a quantidade de casos que ela observou. ''Só aqui onde eu trabalho tem três pessoas com o problema. Também tenho amigos com a doença'', afirma.
A professora explica que, no caso do hipotireodismo, na fase inicial da doença, o paciente pode apresentar sinais de desânimo, cansaço, distúrbios de humor e até depressão. Já o hipertireodismo, também no início da doença, causa inchaço, pele ressecada, queda de cabelo. ''O aumento da glândula, que provoca aquele inchaço no pescoço, popularmente conhecido como 'papo', pode aparecer nos dois casos, mas é mais comum quando a pessoa tem hipertireodismo'', disse.
Maria conta também que precisa fazer um acompanhamento da doença, já que foi detectado um nódulo de 4 centímetros na tireóide. ''Não é maligno, mas eu tenho que ir a cada seis meses no médico para saber se o nódulo não cresceu, porque daí eu teria que fazer uma cirurgia'', disse. Entre os pacientes que desenvolvem um nódulo na tireóide, 95% exibem casos benignos, de acordo com a professora.
Ela explica ainda que a grande maioria dos pacientes já tem predisposição genética para desenvolver a doença. ''A doença é hereditária mas já sabemos que o aparecimento dela é multifatorial. O problema pode estar na alimentação e até no estresse. Na alimentação, são várias as substâncias que podem comprometer a saúde do organismo. A mais conhecida, em relação à alteração na tireóide, é o iodo, presente principalmente no sal. O excesso ou a falta dele pode originar uma alteração na glândula'', explica.
Apesar de não terem cura, as doenças da tireóide podem ser controladas. ''A reposição de hormônios deve ser permanente. O paciente tem que ir ao consultório de 2 a 3 vezes por ano. E a retirada de nódulos tem tido excelentes prognósticos'', disse a professora, acrescentando que a orientação é que as pessoas também estejam atentas. ''Passando a mão pelo pescoço às vezes já é possível perceber uma 'bolinha'. Caso tenha alguma alteração, é preciso ir ao médico''.
O encontro em Curitiba, que começou na última quinta-feira, vai até amanhã no Estação Embratel Convention Center e deve reunir mais de 1.400 médicos. O evento acontece a cada dois anos.


