Santiago, 30 (AE) Aumenta a possibilidade de a eleição chilena ser decidida apenas no segundo turno, já no ano 2000. Uma pesquisa divulgada na terça-feira mostra empate técnico entre os dois principais candidatos.
O líder nas intenções de voto, o governista Ricardo Lagos, perdeu terreno para o oposicionista Joaquín Lavín, segundo mostrou pesquisa divulgada na terça-feira pelo Centro de Estudos Públicos (CEP). A pesquisa do CEP mostrou também que a taxa inédita de 11,5% de desemprego registrada no trimestre de junho a agosto é de longe a maior preocupação dos eleitores hoje
seguida pela pobreza e insegurança.
Numa simulação da votação no primeiro turno, Lagos obteve 39,9% das preferências, enquanto Joaquín Lavín teve 38,2%
um empate técnico, dado que a diferença entre os dois, de 1,7 ponto percentual, é menor que a margem de erro da pesquisa, de 3 pontos percentuais.
Na pesquisa do CEP foram entrevistadas 1.504 pessoas. As opiniões foram colhidas entre 24 de setembro e 11 de outubro. Até algumas semanas, a diferença de Lagos para Lavín era suficiente para que o candidato socialista da coalizão governista Concertação vencesse no primeiro turno (13,3 pontos porcentuais).
Sem usar a urna para simular a eleição, o candidato oposicionista conservador, Lavín, tem uma votação menor, de 36 9%.
Apesar do empate técnico no primeiro turno, Ricardo Lagos mantém a vantagem na simulação da realização de um segundo turno. O candidato do governo obteve 43,5% das intenções de voto quando confrontado com Lavín, que conseguiu 38,8%.
Entretanto, o número de indecisos ainda é alto: 10,7%, segundo a pesquisa, que se somam aos 7% com intenção de votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas (o voto não é obrigatório).
Mesmo ainda vencendo no segundo turno, a vantagem de Lagos em relação a Lavín diminuiu na pesquisa feita entre setembro e outubro em relação à realizada entre abril e maio. Na primeira pesquisa, Lagos tinha 45,2% e Lavín, 33,4% uma diferença de 12,2 pontos percentuais, que caiu para 4,7 pontos na sondagem mais recente.
A candidata do Partido Comunista, Gladys Marín, teria 3% dos votos, seguida pelo candidato independente Arturo Frei Bolívar, com 1,1%, por Tomás Hirsch, apoiado pelo Partido Humanista, 0,7%, e a ecologista Sara Larraín, 0,6%. A porcentagem de votos brancos ou nulos é alta, 14%, e de indecisos, 2,5%.
As reações dos comitês de campanha dos candidatos foram opostas. O comitê de Lagos continua acreditando que não haverá segundo turno; o de Lavín insiste em empate técnico. Entretanto, a simulação de um segundo turno ainda mostra um grau alto de indecisão: 10,7%, e 7% votariam em branco ou anulariam o voto.
O primeiro turno será em 12 de dezembro. Se houver segundo turno, a data da votação será 16 de janeiro.
Chamam a atenção na pesquisa as principais preocupações dos eleitores.
O desemprego é de longe a maior delas, com 52% das respostas. A pobreza vem em seguida, com 44,2%, e a insegurança, com 41,1%.
De fato, ao andar pelas ruas de Santiago percebem-se os efeitos da alta taxa de desemprego, embora os sinais sejam distantes do cotidiano das grandes cidades brasileiras.
Ambulantes vendem nos sinais de trânsito de Santiago flores, imitações dos bonecos Teletubbies e outras bugigangas. Não é raro encontrar pedintes abordando clientes em cafés ou pedestres nas ruas.
O aumento da criminalidade assusta os chilenos: os roubos de carros e assaltos a casas cresceram cerca de 30% nos primeiros sete meses do ano.

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