Aumentam casos de obesidade na infância
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Doenças ligadas à nutrição como obesidade infantil, a desnutrição de prematuros e a anemia em crianças recém-nascidas serão discutidas amanhã, em Foz do Iguaçu, no dia de encerramento do 56º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, que reúne dois mil especialistas de todo o Brasil, no Centro de Convenções do Hotel Bourbon.
Na palestra de amanhã, o pediatra paraibano Renato Junger de Oliveira defenderá a adoção de tratamento multidisciplinar no combate do sobrepeso em crianças. O especialista acredita que só um trabalho contínuo e permanente, que englobe além do médico, o trabalho com nutricionista, psicólogo e professor de educação física, pode evitar que a criança se tornem um adulto obeso.
Estatísticas internacionais apontam que a incidência da obesidade entre crianças de 6 a 11 anos aumentou 54% nos últimos 20 anos. Atualmente, entre 20 e 27% das crianças e adolescentes são obesos no Brasil.
Cerca de 40% das crianças obesas continuarão com problemas de peso na adolescência e 80% dos adolescentes obesos permanecerão sendo obesos na vida adulta, informa Junger de Oliveira. Segundo o especialista, a obesidade acarreta o desenvolvimento do diabetes infantil, problemas cardiorrespiratórios, ortopédicos e transtornos psicossociais.
Ontem, o destaque do Curso Nestlé foi a palestra do clínico de adolescentes Paulo César Pinheiro Ribeiro. O pediatra mineiro, um dos maiores especialistas brasileiros em gestação em mulheres de 10 a 19 anos, apontou que a antecipação do início da vida sexual entre os jovens vem provocando um crescimento da gravidez indesejada entre as adolescentes.
Os adolescentes querem sair, namorar, ficar e viver o exercício da sexualidade. Nessa fase, a preocupação com a gravidez está muito distante, justifica o médico.
Ele destacou estatísticas preocupantes da realidade da adolescente brasileira. Segundo dados do Ministério da Saúde, o parto já representa a primeira causa de internação de meninas que procuram os hospitais do Sistema Único de Saúde e 14% das brasileiras menores de 15 anos já têm pelo menos um filho. A faixa etária de 10 a 19 anos também é a que mais contribui para o número de um milhão de abortos realizados clandestinamente por ano no Brasil.
Segundo o médico, vários fatores vêm influenciando o início da sexualidade mais cedo nos jovens. Um deles é o fato de que a cada década a primeira menstruação tem vindo três meses antes e, com ela, além das transformações da puberdade, o desejo e a atração pelo sexo. Outro fator é a erotização pela mídia.Estatísticas apontam que a obesidade em crianças aumentou 54% nos últimos 20 anos; especialista aconselha tratamento multidisciplinar
Ney de SouzaAlertaPediatra Paulo César Pinheiro: parto já representa a primeira causa de internação de meninas no SUS





