Aumentam abusos sexuais em campos de refugiados
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Charlotte Raab 
Nova York - O alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR), Ruud Lubbers, admitiu ontem que os abusos sexuais contra crianças se multiplicam nos campos de refugiados, e se comprometeu a adotar uma política de tolerância zero para combatê-los.
A dramática situação dos abusos está se estendendo, destacou Lubbers durante mesa-redonda organizada paralelamente à Assembléia Geral da ONU sobre a Infância.
O HCR denunciou em fevereiro casos de exploração sexual de crianças, que poderiam ter sido cometidos pelo pessoal local de organizações não-governamentais, ou da ONU.
Esse anúncio veio depois de uma investigação feita por uma equipe da ONU e da ONG Save the Children, que recolheram depoimento de crianças durante missão no oeste da África, em outubro e novembro passados.
Segundo o informe do HCR, 70 pessoas, membros de mais de 40 ONGs e agências da ONU, eram suspeitas de terem dado ajuda em troca de favores sexuais a jovens refugiados de 13 a 18 anos de idade em Serra Leoa, Guiné e Libéria.
Ao mesmo tempo em que eximiu o pessoal do HCR de suspeitas, Lubbers atribuiu a multiplicação desses casos a uma cultura da violência em meio da qual vivem os refugiados. Muitos nunca conheceram um ambiente estável e pacífico.
Um clima como esse termina ganhando os campos de refugiados, onde a violência é considerada a norma, acrescentou.
O ex-primeiro-ministro holandês prometeu levar à Justiça os suspeitos eventuais assim que terminar uma investigação em curso.
Quando se distribui a comida (aos refugiados nos campos) detém-se um poder muito importante. Além disso, para limitar os riscos de que alguns homens cometam abusos de poder, pedimos que sejam mulheres as encarregadas de distribuir os alimentos. Isso encerra, de uma determinada maneira, o risco de violência sexual, acrescentou.
O HCR estabeleceu, também, uma regra estrita que proíbe as relações sexuais entre os empregados humanitários e os jovens, inclusive as relações aparentemente consentidas.
Esse tipo de comportamento (nos campos de refugiados) estão sempre carregados de uma relação de poder, disse Lubbers.
Oriente Médio Os países árabes apresentaram ontem, na Assembléia Geral da ONU, um projeto de resolução para exigir que Israel respeite os direitos das crianças palestinas nos territórios que ocupa ilegalmente.
No documento, se exige que Israel, a potência ocupante, respeite as disposições pertinentes do Convenção sobre os Direitos da Criança e cumpra plenamente as disposições do Convênio de Genebra relativas à proteção de pessoas civis em tempo de guerra.


