A beatificação do Frei Galvão pelo Papa João Paulo 2º na semana passada tem feito o número de visitantes ao Mosteiro da Luz, centro de São Paulo, onde está seu túmulo, passar de algumas centenas para quase 3.000 por dia.
Aproveitando o feriado de Páscoa, muitas pessoas estão saindo do interior de São Paulo e até de outros estados para obter milagres do beato. As pessoas vão atrás de medalhas, santinhos de papel, água benta e livros. O que mais atrai os fiéis, no entanto, é uma ‘‘pílula’’ de papel com poderes de cura.
A pílula, criada pelo Frei Galvão no final do século 18, contém uma oração em devoção à Virgem Maria e vinha sendo distribuída principalmente às mulheres grávidas, para que não corressem perigos na gravidez.
‘‘Com a beatificação, no entanto, muitas pessoas estão atribuindo um poder mágico à pílula e vêm buscá-la aqui apenas por isso’’, disse ontem uma das freiras que coordena os registros de milagres do beato, a irmã Cláudia de Santa Beatriz. ‘‘Mas se não houver fé, não há pílula que faça o milagre ocorrer.’’
As pílulas são confeccionadas pelas 14 irmãs do Mosteiro da Luz. Segundo a irmã Cláudia, a Igreja já registrou mais de 30 mil milagres no mundo inteiro, que teriam sido realizados com orações a Frei Galvão. ‘‘A maior parte deles se referem a questões de saúde’’, diz a irmã. ‘‘Mas há também quem peça ajuda a questões econômicas ou familiares.’’ Hoje, cerca de 3.000 pessoas chegaram a esperar de duas a três horas em uma fila na porta do mosteiro para receber a pílula. A maioria queria a pílula apenas para pedir proteção à família.

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