Aumenta tensão em Miami por negociações sobre destino de Elián Da correspondente Monica Yanakiew
Miami, 04 (AE) - A tensão aumentou nesta terça-feira (04) em Miami, onde o destino do garoto cubano Elián González, de seis anos, está sendo negociado.
Mais de cem pessoas derrubaram as barricadas e formaram uma corrente humana em volta da casa, onde Elián vive desde novembro passado, quando foi resgatado de um naufrágio próximo à costa sul da Flórida. "Elián não sairá daqui", gritavam os manifestantes.
Tudo começou com um boato. Dois rapazes se aproximaram do grupo, que todos os dias amanhece em frente à casa do tio-avô de Elián, Lázaro González. Contaram que os agentes do Serviço de Imigração e Naturalização (INS, pela sigla em inglês) dos Estados Unidos estavam a caminho, para buscar o menino e entregá-lo a seu pai, Juan Miguel González.
"Não vamos permitir que mandem a criança de volta a Cuba, com o pai", disse Milena Lopez, uma das manifestantes que formou a corrente humana. "Sua mãe sacrificou a vida pela liberdade dessa criança e vamos respeitar seu desejo", insistiu.
Elián é um dos três sobreviventes de um grupo de 13 cubanos que, no último dia 22 de novembro, fugiram de barco de Cuba, em direção aos Estados Unidos. Sua mãe e seu padrasto morreram na travessia.
Mas seu pai, que vive em Cuba com a segunda mulher e um filho de seis meses, quer Elián de volta.
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e o líder de Cuba, Fidel Castro concordam que o lugar da criança é com o pai.
Nesta semana, o governo norte-americano concedeu vistos de entrada a Juan Miguel González, sua mulher, seu filho, um primo de Elián, uma professora e um pediatra. O objetivo é permitir um reencontro da família em Miami e tornar menos traumática a repatriação do pequeno náufrago. Mas Cuba insiste que sejam concedidos vistos para toda a delegação designada pelo governo cubano mais 22 pessoas, além das seis já autorizadas.
Funcionários cubanos disseram ontem que o pai de Elián só deixará Cuba em direção aos EUA quando obtiver garantias de que terá a custódia temporária do garoto. O advogado de Juan Miguel nos Estados Unidos, Greg Craig, viajou hoje a Havana para discutir diretamente com seu cliente os detalhes do caso.
Mas Lázaro González e sua filha Marisleysis, que acolheram Elián em sua casa há quatro meses, recorreram à justiça para mantê-lo nos Estados Unidos.
São apoiados pela poderosa comunidade cubana na Flórida - entre os quais prefeitos e parlamentares -, que transformou o menino num símbolo de quatro décadas de oposição à ditadura comunista de Castro.
De acordo com informações do Departamento de Estado, Juan Miguel González deve viajar primeiro a Washington, de onde aguardará, ao lado do filho, o julgamento do recurso.
Hoje, os advogados da família de Elián em Miami se reuniram com representantes do INS para negociar o futuro da criança. Eles impuseram duas condições. Querem que o pai de Elián permaneça nos Estados Unidos enquanto o caso está sendo discutido na justiça. Lázaro González recorreu a um tribunal, para pedir asilo político para seu sobrinho. A decisão deverá ser tomada em maio e existe ainda a possibilidade de recorrer à Suprema Corte.
A segunda condição de Lázaro González é que o sobrinho seja examinado por um grupo de psicólogicos independentes, cuja missão será determinar se a criança está em condições de ser repatriada.
O governo norte-americano, em princípio, concordou. Mas não aceita que os médicos dêem o veredicto final. Os psicólogos ajudarão apenas a determinar que medidas devem ser tomadas para tornar menos traumática a volta de Elián a Cuba.
Funcionários do INS suspenderam até quinta-feira uma reunião com advogados de Lázaro González.
Qualquer decisão, sobre o futuro de Elián, será traumática. Além de estar no centro de uma disputa política, a criança foi praticamente canonizada pela comunidade cubana em Miami.
Hoje, um enorme quadro foi erguido no muro da casa dos vizinhos de Lázaro. A pintura mostra o menino, nadando no mar, rodeado pelos seus protetores - os golfinhos, que teriam afastado os tubarões, a Virgem Maria, que apareceu no espelho do seu quarto, e Iemanjá, a Deusa do Mar.
Ainda nesta terça-feira, um guru da Índia somou-se ao grupo que rezava por mais um milagre para salvar Elián das garras de Castro. Ele rezou pela criança e disse que está em greve de fome há cinco dias para ajudar o menino a permanecer nos Estados Unidos.
Em Washington, a Casa Branca declarou considerar "um fato" a iminente reunião entre o garoto e seu pai. "A dúvida agora já não é mais sobre se pai e filho vão-se reunir, mas sim sobre a maneira que esse encontro se dará", disse o porta-voz da Casa Branca Jake Siewert.





