Aumenta suicídio entre jovens
Aumenta suicídio entre jovens
Agência Estado
Pesquisa divulgada ontem pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica uma tendência de aumento no número de suicídios entre jovens de 15 e 24 anos. Em 1979 foram registrados 208 suicídios nas capitais das principais regiões metropolitanas do Brasil e em 1995 o número subiu para 292, um aumento de 40%. A média mensal dos suicídios cresceu de 17,33 em 1979 para 24,33 em 1995. Embora o suicídio não seja a principal causa de morte entre os jovens, notamos um aumento, afirmou a pesquisadora Edinilsa Ramos de Souza.
O estudo Urbanização e Violência: Suicídio de Jovens nas Metrópoles foi apresentado ontem pelos pesquisadores do Centro Latino Americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves) da Fiocruz, Edinilsa e Juaci Vitória Malaquias, durante seminário organizado pela instituição.
A pesquisa foi feita em nove capitais e abrange o período de 1979 a 1995, contabilizando dados de 1979, 1985, 1990 e 1995. O estudo mostra a tendência de crescimento, mas, para confirmar, temos que contabilizar os números ano a ano, afirmou Edinilsa, que pretende dar início agora à segunda fase do estudo.
No período de 1979 a 1995 a proporção de suicídios masculinos em relação aos femininos duplicou. Em 1979 a relação era de 1,54 homem suicida para cada mulher. Dezesseis anos depois, esse número aumentou para 3,23. Outros estudos mostram que a mulher tenta se suicidar muito mais vezes do que os homens, mas eles têm mais sucesso nas tentativas, explica Edinilsa, psicóloga com doutorado em saúde pública. Os homens costumam buscar meios mais letais, se expõem mais à violência.
Os lugares com maior incidência de suicídio por cem mil habitantes na faixa etária dos 15 aos 24 anos no período estudado foi Porto Alegre, 7,63 e Curitiba (PR), 7,29. As capitais com menor incidência são Salvador, 0,37, e Rio de Janeiro, 1,84. São Paulo apresenta uma taxa de 5,77 suicídios. É normal que em locais mais desenvolvidos as taxas de suicídio sejam mais altas e as de homicídio mais baixas, mas isso não explica tudo.
Segundo a psicóloga, ainda existem muitos tabus em relação aos suicídios e, por isso, as famílias tendem a esconder a causa da morte, o que faz com que as estatísticas sejam subdimensionadas. Em geral, quando investigamos mais a fundo, o número dobra ou até triplica, afirma.





